O fundo das Escadas Monumentais em Coimbra encheu-se de bandeiras da CDU, esta terça-feira à noite, para ouvir Jerónimo de Sousa dizer que, no fundo, está também a educação em Portugal. Tão fundo como nunca esteve desde o 25 de Abril, afirmou o líder comunista.

Antes de Jerónimo de Sousa, passara pelo microfone do comício Manuel Rocha. O cabeça-de-lista da CDU por Coimbra, que primeiro embalou os apoiantes ao violino, no momento musical da noite, e depois preparou o terreno ao líder comunista.

“Estas escadas foram caminho dos protestos dos estudantes, que, em 1969, por aqui mesmo, seguiram empunhando cartazes que gritavam intenções, como democratização do ensino, e reivindicações, como estudantes no governo da Universidade. Coisas de hoje ainda”, disse o diretor do Conservatório de Música de Coimbra e membro da Brigada Victor Jara, que procura   um lugar no Parlamento que escapa à CDU desde 1987.  

  
Jerónimo de Sousa, que se sentara pouco antes nos degraus das Monumentais, subiu ao palanque para denunciar o estado da educação em Portugal. E fê-lo de forma dramática.

“Hoje paira sobre a escola pública uma das maiores ameaças à sua matriz democrática, a maior de todas nos 41 anos de democracia”, disse. “O que hoje está em causa é a existência de uma escola pública que a Constituição consagra e a universalidade da oferta educativa e formativa de qualidade”. 


Depois lançou-se contra “a contratualização com privados de respostas que a escolas públicas estariam em condições de dar” e também contra “o processo de municipalização da educação”. E deixou uma promessa: 

“Fica a garantia de que tudo faremos na próxima legislatura para revogar a municipalização do ensino, processo que põe em causa a autonomia das escolas”, assegurou.


Sobre PSD e CDS, Jerónimo de Sousa disse que “não só não resolveram nenhum problema na educação como levaram ao agravamento de quase todos”. Depois atacou também o PS e lançou um repto a António Costa. 

“Seria muito interessante que António Costa esclarecesse no que estava a pensar quando num recente comício em Faro afirmou que o PS vai voltar à paixão da educação”, desafiou.

E respondeu à questão retórica: “Queríamos dizer que o dr. António Costa já tem idade suficiente para saber que as paixões de verão dão forte, mas passam depressa, como tem acontecido com o PS”. E recordou os encerramentos de “mais de 3100 escolas” durante os governos socialistas e outras políticas que considera terem fragilidade os professores.


Jerónimo de Sousa não quis terminar a noite sem deixar um recado “a alguma comunicação social” e recusar ter “sozinho” a campanha da CDU “sobre os ombros”.

“Camaradas e amigos, enquanto vocês não se cansarem, não me cansarei, não nos cansaremos, para conseguir um grande resultado da CDU no dia 4 de outubro”, concluiu.