Jerónimo de Sousa não está disposto a dar nada a Cavaco Silva. Nem sequer um “conselho”. Foi o líder comunista que o disse, quando instado a comentar a ausência do Presidente da República das comemorações oficiais do 5 de Outubro. 

“Não gosto de dar conselhos a Cavaco Silva”, afirmou durante uma arruada em Setúbal, salientando: “Creio que é uma decisão que só responsabiliza o próprio”. 

Sobre o tema, o líder comunista deixou apenas uma garantia: “Tudo faremos para que o 5 de Outubro volte a ser feriado nacional, um feriado que foi roubado aos trabalhadores”.
 
A informação de que Cavaco Silva faltará às comemorações do aniversário da implantação da República para reflectir sobre os resultados eleitorais surge depois do Presidente da República ter garantido, em Nova Iorque, que sabe “muito bem” aquilo que irá “fazer” e que é “insensível a quaisquer pressões”. Palavras que, para Jerónimo de Sousa, são, elas sim, uma “pressão”. 

“O Presidente da República tem é de seguir à letra o que diz a Constituição e não apressar nem cenários, nem reflexões, nem soluções sem que o povo português se decida”, defendeu, descrevendo as palavras de Cavaco Silva como  parte do “esforço tremendo” que “certas forças fizeram”, com o objetivo de “desviar aquilo que é fundamental nestas eleições”. 


Palavras que suscitaram uma troca de palavras entre Jerónimo de Sousa e um apoiantes, que lhe interrompeu o discurso no final da arruada.

“Em minha casa ninguém se desvia”, gritou o homem. E o líder comunista respondeu: “Ainda bem camarada, mas não basta que em tua casa não se desvie, é preciso que em nenhum sítio se desviem deste objetivo em relação à CDU”.