O cabeça de lista da CDU (PCP/PEV) às eleições europeias, João Ferreira, acusou este sábado o PS de fazer falsas promessas de mudança, sustentando que os socialistas querem manter tudo na mesma.

«Espalham por aí agora uns cartazes a dizer mudança. Os portugueses conhecem bem o significado desta mudança há, pelo menos, 37 anos. Sabem bem onde vai o país parar com tanta promessa de mudança: exatamente ao mesmo sítio, ou pior ainda. As falsas promessas de mudança hoje feitas pelo PS, como há três anos feitas pelo PSD, são promessas de mudança feitas por quem apenas quer que fique tudo na mesma, por quem apenas consegue que tudo vá ficando tudo cada vez pior», afirmou João Ferreira.

Numa intervenção durante o 10.º Congresso da JCP, na Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa, o dirigente comunista, atual eurodeputado e vereador na Câmara Municipal de Lisboa acrescentou que, «cá e lá», PS, PSD e CDS-PP «estiveram sempre de acordo nos últimos tempos, nos últimos anos», tendo convergido «em tudo o que de mais relevante foi decidido e votado no Parlamento Europeu».

Apresentando a coligação PCP/PEV como representante da «profunda e genuína mudança desejada por cada vez mais portugueses», João Ferreira concluiu: «Por tudo isto, o reforço da CDU nestas eleições é um objetivo possível, um objetivo justo, um objetivo necessário e útil».

Antes, João Ferreira defendeu que, com o apoio do PS, PSD e CDS-PP, o programa atualmente aplicado em Portugal vai manter-se «mesmo para lá de maio», através de mecanismos como o chamado tratado orçamental e o semestre europeu: «Como dizia ainda há poucas semanas o Presidente da República, pretendem com isto garantir, pelo menos, mais 20 anos da mesma política que têm vindo a implementar nos últimos três».

«Pretendem com isto um autêntico programa de colonização política e económica dos mais fortes sobre os mais fracos», advogou o membro do Comité Central do PCP. «Camaradas e amigos, é esta a verdadeira face da União Europeia», declarou, perante uma plateia de jovens militantes comunistas.

João Ferreira criticou os últimos 28 anos de «integração capitalista europeia», reclamando que o PCP teve razão nesta matéria.

Quanto aos fundos comunitários que Portugal recebeu, disse que, «nos últimos sete anos, entre 2007 e 2013, já foi mais o dinheiro que saiu do país para a União Europeia sob a forma de juros, de lucros e dividendos, do que aquele que entrou no país vindo do orçamento da União Europeia».

Segundo o dirigente comunista, «a União Europeia, pela desigualdade que vai semeando, pela imposição por parte dos mais fortes e poderosos aos mais fracos de políticas contrárias aos seus interesses, por este caminho, cria as condições, cria o caldo de cultura para a emergência de fenómenos como a xenofobia, o racismo e a ascensão novamente de forças neofascistas».

No que respeita à situação nacional, João Ferreira alegou que as taxas e cortes na saúde, educação e salários estão a beneficiar os mais ricos, assinalando o aumento das grandes fortunas e do número de milionários em Portugal.