Três mil lugares sentados, três mil lugares lotados. O Complexo Municipal dos Desportos de Almada encheu com uma torrente de apoiantes da CDU, que marchou desde o Portão Verde do Arsenal de Alfeite, para o pavilhão. Lá dentro, ouviram Jerónimo de Sousa (que não participou na caminhada), lamentar a “ingratidão” de Pedro Passos Coelho para com o PS.
 
A gratidão que o líder do PSD deve aos socialistas - explicou depois o líder comunista - é uma dívida pelas “políticas de direita”, que considerou serem uma marca dos executivos do PS, uma ideia já sublinhada de manhã, em Alcochete

A dupla “farpa” de Jerónimo de Sousa, porque apontada à PàF e ao PS, não vinha no discurso escrito. Foi um improviso, quando decidiu denunciar o “desespero" de Passos Coelho e Portas, para também se demarcar de qualquer cumplicidade com o PS.  

“Ontem, deixaram fugir para imprensa a informação de que no seio da coligação novamente se respirava o ar de quem ia conseguir maioria absoluta. E, depois, hoje, vem Passos Coelho, numa diatribe, dizer cuidado, que o PS está a preparar um Governo esquerdista, com o PCP e com o BE”, começou por explicar o líder comunista em Almada. 


Depois, partiu para a questão das dívidas de gratidão que lhe suscitaram as declarações de Passos Coelho.  

“É ingratidão para com o PS, porque, de facto, ao longo da sua história dos 39 anos recentes, aquilo que se verifica é que o PS, sozinho, livre, fizesse as opções que fizesse, sempre alinhou com a política de direita”, apontou.


Depois, um remate: “Trata-se, portanto, de uma ingratidão de Passos Coelho”. Para voltar ao ponto de partida da ideia, ao “desespero” de Passos: “Grita, grita, que vem aí o lobo, num sinal claro que está desesperado e que tem a derrota certa.”