O líder da Coligação Democrática Unitária (CDU), Jerónimo de Sousa, lamentou esta quinta-feira que o PS tenha estado "ausente" do combate à "política de direita" na última legislatura, ao comentar o debate televisivo da véspera frente ao líder socialista.

Durante uma visita à comunidade piscatória de Sesimbra, Jerónimo de Sousa reiterou ainda as diferenças de opções programáticas sobre a Segurança Social com o homólogo do PS, António Costa, e condenou a "imposição draconiana" de quotas de pesca por parte dos responsáveis de Bruxelas.

"Obviamente, não fui para ali terçar armas. Gastei mais tempo na fundamentação das propostas de uma política patriótica e de esquerda que a CDU defende, numa visão construtiva e não nos limitarmos ali à crispação e à conflitualidade verbal", disse o secretário-geral comunista, depois de ouvir muitos lamentos por parte de pescadores, ocupados nos trabalhos de preparação de redes e anzóis.

Para Jerónimo de Sousa, o "adversário principal nesta campanha é a política de direita", sem esquecer a divergência profunda sobre o "plafonamento" das contribuições para a Segurança Social, aprovado ainda no tempo do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates, e agora as propostas do PS de "baixa da Taxa Social Única" (TSU) ou as "reformas congeladas".

"Quando nos dizem que criticamos muito o PS e que não fazemos tanta crítica ao PSD e CDS é caso para perguntar onde andou o PS durante quatro anos, quem combateu a política de direita executada pelo PSD e CDS no Governo? O PS esteve ausente. Deixou-nos sozinhos com os trabalhadores, as populações, muitos trabalhadores socialistas, que lutaram em torno da defesa dos direitos do trabalho, serviços públicos, centros de saúde, tribunais, tanta área", afirmou.

O líder da coligação que junta PCP e "Os Verdes" defendeu a necessidade de aposta no setor pesqueiro, apesar de "a sua comparticipação para o PIB [Produto Interno Bruto] não ter um peso de grande dimensão".

"Mas precisamos de desenvolver e apoiar os pescadores e a pesca. Sendo o povo e o país que somos, é inseparável da nossa vida coletiva, da nossa história e do nosso próprio futuro", apelou.