O auditório da Associação Empresarial de Águeda encheu-se esta sexta-feira à noite. Primeiro para acompanhar o debate de Heloísa Apolónia com Paulo Portas, na TVI24, depois para ouvir Jerónimo de Sousa criticar um estudo de opinião divulgado pela RTP e insurgir-se contra aqueles que chamou “cangalheiros frustrados”.   

Num tom inflamado, o líder comunista começou por defender que a CDU é temida por ser uma “força alternativa” às políticas dos maiores partidos, entre os quais não vê grandes diferenças.   

É por isso que aí os vemos, a inventar duelos decisivos, putativos candidatos a primeiro-ministro, a fabricar empates técnicos, a partir de repetidas sondagens”, começou por dizer Jerónimo de Sousa, para depois afinar a mira e disparar contra um alvo mais concreto: um estudo de opinião da RTP, realizado pela Universidade Católica, que coloca o Bloco de Esquerda (8%) à frente da CDU (7%) nas intenções de voto, com uma margem de erro de 3,9%.


Referindo-se a esta sondagem, o líder comunista denunciou “manobras construídas” e um “inquérito sem credibilidade que o canal público divulgou e que apenas pretende desmobilizar e inverter o que na realidade a vida e o apoio à CDU demonstram”.

Só o desespero dos já derrotados, ou que sabem ser incapazes de atingir os seus objetivos, pode justificar tal tentativa de manipulação do povo”, continuou Jerónimo de Sousa, avisando que estas “manobras” irão “prosseguir nos próximos dias e nas duas semanas que faltam até às eleições”.


Mas o líder comunista anotou ainda um novo alerta: ”Nunca resultaram os apressados anúncios da nossa morte”. “A CDU vai crescer e vai avançar. Pode ser que desta vez metam a mão na consciência e deixem de ser meros cangalheiros frustrados”, soltou Jerónimo de Sousa. 

Uma farpa a Paulo Portas

Antes de Jerónimo de Sousa, discursara o cabeça de lista da CDU por Aveiro. Desde 1985 que a coligação não elege um deputado neste distrito, mas Miguel Viegas quer que isso mude já a 4 de outubro, garantindo que ninguém dá mais voz ao distrito no Parlamento do que a bancada da coligação.

O PCP e o PEV são precisamente aqueles partidos que questionaram mais vezes o Governo sobre problemas do distrito de Aveiro", sublinhou o candidato. "Está no site da Assembleia, para quem quiser consultar".


Miguel Viegas frisou que "a CDU tem um património de intervenção ímpar sobre o distrito que deveria fazer corar de vergonha os outros deputados eleitos por Aveiro, que ninguém conhece, que ninguém vê a não ser em vésperas de eleições".

Depois, deixou uma farpa aparentemente a Paulo Portas, que trocou a habitual candidatura por Aveiro, nas listas do CDS-PP, pelo segundo lugar na lista da coligação Portugal à Frente, em Lisboa. "Não é por acaso que alguns deles preferem candidatar-se hoje a outros distritos, é porque nalgum lado lhes dói", sentenciou Miguel Viegas.