Braga é conhecida como uma cidade de fé. Temente a Deus. E foi precisamente o “medo” que serviu de mote ao discurso de Jerónimo de Sousa esta quarta-feira à noite, no centro da cidade. O medo que, segundo o líder comunista, os maiores partidos agitam para tentar condicionar os eleitores. O medo, disse também, que tem sido usado por Cavaco Silva, para dramatizar a necessidade de uma maioria absoluta. 

“Andam para aí a meter medo com a falta de estabilidade. Pobres de espírito os que julgam que pela estratégia do medo amedrontam o povo, que o podem fazer desistir de querer um futuro melhor para as suas vidas”, disse Jerónimo de Sousa, perante algumas centenas de apoiantes. 


Um discurso entrecortado por cânticos de fundo de adeptos de futebol do Groningen, da Holanda, que bebiam cerveja nas esplanadas da praça, em véspera de jogo da Liga Europa com o Sporting de Braga. 

Mas Jerónimo de Sousa prosseguiu imperturbável, sem abrandar as críticas, até contra o PS, horas depois de dizer no Porto que daria trégua aos socialistas para não “enervar” António Costa.

“Andam aí, a coligação PSD/CDS e o PS a clamar por maiorias absolutas. Querem maiorias absolutas. Ei-los uns e outro atrás das manobras e chantagens de Cavaco Silva para alcançar essa maioria, seja de um ou de outro, para perpetuar a mesma política de sempre”, afirmou. 


Cavaco Silva acabou por ser o protagonista da toada mais crítica do secretário-geral do PCP, que apontou ao Presidente da República a intenção de garantir a continuidade das políticas dos últimos anos. 

“Para Cavaco Silva, o importante é salvaguardar a mesma política de direita, independentemente do ator que esteja no Governo", disse, descrevendo depois o que vê por trás da “estabilidade”, “governabilidade” e “segurança" que pedem os maiores partidos.


Para Jerónimo de Sousa, esses três apelos servem apenas para os partidos do actual Governo e para o PS “prosseguirem o rumo dos sacrifícios”, “criarem as condições para aumentar a exploração” e salvaguardarem o “regabofe do dinheiro a rodos para a banca e as suas fraudes”.

“É por isso que os partidos da política de direita, os grupos económicos, os banqueiros, temem o crescimento da CDU”, concluiu Jerónimo de Sousa.