Sol, música, mobilização. Jerónimo de Sousa marchou acompanhado por uma multidão de militantes desde a Praça da Batalha à Praça Garrett, no Porto. A meio do caminho deixou críticas a Cavaco Silva e a garantia de que não fará “favores ao PS”.  
 
hugobeleza
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19/09/15, 15:50

A meio da caminhada, sempre a descer e depois de contornado o mercado do Bolhão, o líder comunista foi questionado sobre a manchete do semanário “Expresso”, que noticiou este sábado que o Presidente da República dará posse a quem tiver mais mandatos e não mais votos nas eleições. Para Jerónimo de Sousa, em jogo nesta informação está uma “pressão” e uma “chantagem”.

Seria avisado por parte do Presidente da República, e de todos, que deixem os portugueses decidir livremente no dia 4 de outubro. Deixem que eles votem sem serem condicionados por essa chantagem, por essa bipolarização que querem criar artificialmente sem conhecer a opinião e a decisão do povo português”, disse.


Para o líder comunista, a palavra sobre o futuro governo só tem um dono: “Deixem os portugueses ser livres no momento do voto e as soluções serão encontradas depois da formação da nova Assembleia da República.” 

“Portanto, ao Presidente da República deveríamos dizer: isto não vale. Não vale porque está a tentar condicionar o voto livre dos portugueses”, salientou.


Jerónimo de Sousa frisou ainda que o desejo de Cavaco Silva de “estabilidade governativa” colide com a vontade dos portugueses. “Eles querem é estabilidade para as suas vidas, estão lá a interessar-se da estabilidade governativa”, anotou. 

Questionado sobre se admite dar a mão ao PS no final da campanha, se isso for necessário para evitar uma vitória da coligação PSD/CDS, o líder comunista recusou entrar nesse tipo de cálculos. 

A experiência da vida diz-me que quem faz contas apressadas geralmente fá-las erradas”, apontou, para depois garantir: “Não faremos nenhum favor ao PS ou seja a quem for para prosseguir a mesma política.”


Já depois, no palco montado na Praça Garrett, Jerónimo de Sousa disse que numa altura em que se multiplicam as sondagens, a "verdadeira sondagem" é a das duas. Antes, Jorge Machado, cabeça de lista da CDU no Porto, dissera que a marcha da coligação juntara "sete mil pessoas" nas ruas da cidade.

O líder comunista criticou ainda quem diz que não há dinheiro para apoios sociais aos mais frágeis, ao mesmo tempo que se noticia que para a banca foram dadas ajudas no valor de "20 mil milhões de euros". 

Dinheiro há sempre para os ricos, para os poderosos, para os donos das grandes fortunas", salientou Jerónimo de Sousa, acusando tanto os partidos da coligação PàF como o PS de pretenderem "colocar o conta-quilómetros a zero" e fazer "uma recauchutagem das suas políticas", com o objetivo de "enganar outra vez os portugueses".


"A grande mensagem é esta: vamos continuar neste caminho. Até dizem: não estragem o que foi feito", apontou, censurando as propostas dos maiores partidos para a segurança social e garantindo que o "palavrão do plafonamento" quer seja "vertical ou horizontal", só significa uma coisa: entregar "à especulação" contribuições que deveria servir para tornar o sistema sustentável.