Na primeira reação aos resultados eleitorais, Jerónimo de Sousa disse que, tendo em conta a falta de maioria absoluta da PàF, o PS tinha condições para formar Governo. Do lado socialista, António Costa garantiu que não estava disposto para "maiorias negativas". Mais tarde, o líder comunista voltou a falar, para lamentar a posição "equívoca" do PS. 

"Os resultados eleitorais confirmam uma grande derrota do PSD e do CDS, que perdem a maioria e são fortemente castigados pelo povo português. Seria intolerável que o Presidente da República quisesse, contra a vontade do povo português, dar-lhe a possibilidade de continuar no Governo", apontou Jerónimo de Sousa na sua primeira declaração da noite.
 

“Está criado um novo quadro na Assembleia da República”, defendeu o líder comunista, para depois concluir: "O que nós consideramos é que, com este quadro, o PS tem condições para formar Governo." 


Sobre que papel poderia ter a CDU na viabilização de um eventual Governo liderado pelos socialistas, Jerónimo de Sousa garantiu que estava em condições de "agir em conformidade" com os objetivos com que se comprometera durante a campanha. 

“Nós dissemos claramente que não precisamos de favores para ir para o Governo, não precisamos de acordos que não se baseiem numa política alternativa patriótica e de esquerda, que pressupõe uma  rutura com este caminhos de desastre", apontou. 


"Agora, se querem construir algo de novo, uma política alternativa realmente, então, naturalmente que aqui está a CDU disposta a dar a sua contribuição para resolver os problemas nacionais", disse em tom de repto, claramente dirigido aos socialistas. 

Depois, foi ainda mais assertivo: “Imagine que o PS aceitava formar Governo e que fazia um programa com uma política patriótica de esquerda, (…) teria com certeza o apoio do PCP”.

Questionado sobre se já tinha falado com António Costa para lhe comunicar esta posição, Jerónimo de Sousa encarregou os jornalistas dessa missão. 

Mas o líder socialista diria depois que não estava disposto a alimentar "maiorias negativas". Uma declaração que mereceu de Jerónimo de Sousa resposta, quando regressou ao rés-do-chão do Centro de Trabalho Vitória e discursou para os apoiantes que ainda se encontravam no bar, já quando alguma imprensa começava a desmobilizar. 

“Os tempos que vêm não vão ser fáceis. (…) Mas este resultado dá-nos força. Dá-nos mais confiança. Estamos mais bem preparados para enfrentar esses mesmo desafios, desafios que concorrem designadamente com a política de direita, que vai ser prosseguida, com esta posição equivoca do PS, que acha que não tem condições para formar Governo", disse Jerónimo de Sousa.  

 
O líder comunista reforçou ainda que estes resultados os melhores da CDU "de há 16 anos a esta parte".

“A CDU alcançou todos os objectivos que pretendia, designadamente com mais votos, mais percentagem e mais deputados”, frisou. 

Última atualização às 00:57