Para Jerónimo de Sousa, o actual Governo é “capaz de sacrificar tudo”, de “torturar estatísticas”, de “substituir a verdade por esquemas”. De fazer "tudo" para passar a ideia de que “conseguiu endireitar as contas”. Um sinal claro, para o secretário-geral do PCP, de que o Executivo de Pedro Passos Coelho também falhou “no plano ético”.

Foi assim que o líder comunista comentou a notícia da Antena 1, que dá conta que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, terá dado ordem para alterar as contas da Parvalorem, a empresa pública que ficou a gerir os ativos de má qualidade do antigo Banco Português de Negócios (BPN), com o objetivo de evitar derrapagens no défice de 2012. 

“Ultimamente, temos vindo a verificar que o tratamento estatístico, o tratamento contabilístico, esta arte de substituir a verdade por esquemas, não é novidade neste Governo”, disse Jerónimo de Sousa aos jornalistas, no final de uma arruada de campanha na Parede, concelho de Cascais.  


Para Jerónimo de Sousa, “fazer essa manigância, só para esconder aos olhos de portugueses mais um pequeno buraco, (…) demonstra que também no plano ético este Governo falhou". 
  
Apesar destas críticas, não pediu a demissão de Maria Luís Albuquerque do Governo, que já negou qualquer manipulação das contas da Parvalorem

“O problema não se resolve com o afastamento da ministra. O problema resolve-se no dia 4, com o afastamento dos partidos do Governo, do PSD e do CDS”, argumentou, realçando que “isto não pode ser à peça.”


Jerónimo de Sousa considera que este é apenas mais um caso que demonstra que “o Governo é capaz de sacrificar tudo para apresentar aos portugueses a ideia de que conseguiu endireitar as contas, de que conseguiu resolver os problemas”.

Depois, salientou que se se “esmiuçar” este guião, só há uma conclusão a tirar: “É tudo uma grande encenação. De facto, o Governo não resolveu os problemas de fundo da nossa sociedade e sempre que foi necessário perturbou, alterou, torturou estatísticas para se apresentar como o grande salvador dos problemas nacionais”.

O comentário dos números do desemprego, que subiu para 12,4 por cento em agosto, mereceu uma reposta na mesma linha. Para Jerónimo de Sousa, apesar desta ligeira subida, estes dados tem sido sujeitos a uma “manipulação estatística”, que considera emprego “os estágios, os cursos de formação e outras formas que este Governo criou”.

“Não é por acaso que foram 500 mil portugueses para a emigração, 70 por cento com menos de 35 anos, porque não encontravam cá emprego credível”, apontou, censurando: “O Governo tem esta teoria de que mais vale pouco que nada, a concepção de que [somos] pobrezinhos mas honrados”.