O antigo vice-presidente do CDS-PP desafiou este sábado Paulo Portas a tentar perseguir o sonho de «construir um Portugal diferente» que tiveram há 25 anos.

«Nós queremos apenas melhorar um sistema que está podre e esgotado e não tem solução ou queremos mudar o sistema?», questionou Luís Nobre Guedes perante o XXV Congresso do CDS-PP.

Segundo Nobre Guedes, «o país pode ter hoje uma enorme surpresa» de o CDS ser «o partido que quer encabeçar esta mudança no sistema e esta mudança no país e faça de Portugal um país realmente diferente».

«Se fizermos isto, o sonho que tivemos há 25 anos talvez possa ser cumprido, mas, acima de tudo, não tenho dúvida alguma que o que é cumprido é Portugal», afirmou.

Nobre Guedes, que poderá encabeçar a lista ao Conselho Nacional apresentada pelo movimento Alternativa e Responsabilidade (AR), a única tendência organizada de oposição a Portas no interior do CDS, tinha começado a sua intervenção lembrando que há 25 anos, com Paulo Portas, e «uma certa geração», tiveram «o sonho de construir um Portugal diferente».

«Passados 25 anos, temos que reconhecer que não fomos capazes de cumprir o nosso sonho», disse.

«Meu caro Paulo, aquilo que tu decidires é certamente aquilo que a maioria do Congresso irá decidir e a opção é muito simples, queremos apenas ser melhor dos que os outros a gerir o sistema ou queremos mudar o sistema», declarou.

Para Nobre Guedes, «o país político clientelar e instalado não quer este país diferente, não está interessado na mudança, mas existe um outro país, um país real, que não anseia por outra coisa».

«É o país de uma nova geração que emigra mas não quer emigrar, das pessoas que empreendem, arriscam e investem, de uma classe média exaurida, dos mais fracos, dos mais pobres, dos mais desprotegidos», defendeu.

Referindo-se ao país que não mudou passados 25 anos, o antigo vice-presidente de Paulo Portas disse que continua a existir «um estado clientelar, cheio de estruturas inúteis que só serve para a voragem das clientelas partidárias».

A administração pública não passou a ser «respeitada e respeitável» e «que não sirva apenas os interesses da clientela partidária».

«Não soubemos respeitar a melhor tradição no antigo regime», disse.

Nobre Guedes lamentou o que considera ter sido «a destruição da justiça, por vezes do estado de direito», de um país que não soube «cuidar dos mais pobres, dos mais velhos, dos mais desprotegidos e dos mais sós», que não tem «solução para os mais novos», uma «geração extraordinária» que emigra.

«Não conseguimos mudar mentalidade pouco amiga de quem investe, e empreende e arrisca e cria riqueza. Chegámos ao absurdo de termos a carga fiscal mais alta de Europa», disse.

Nobre Guedes considerou que o «valor da vida e da família» não são devidamente defendidos.

O antigo dirigente e ministro centrista lamentou ainda que não tenha sido possível «encontrar um sistema alternativo a um semi-presidencialismo que já não serve e uma lei eleitoral claramente desajustada».

«Chegámos a 2014 e o nosso país, Portugal, hoje não consegue sequer ser a comunidade de afetos que devia e deve definir e respeitar cada nação. Portugal hoje é um país dividido, partido e estamos longe de ser uma sociedade solidária», considerou.