A presidente do CDS, Assunção Cristas, afirmou esta terça-feira, no Parlamento, que o Estado "falhou clamorosamente" na prevenção dos incêndios e que "há que apurar responsabilidades políticas até às últimas consequências". Na apresentação da moção de censura ao Governo, a líder centrista elencou as várias razões pelas quais o Governo falhou na tragédia dos fogos, que provocaram a morte a mais de 100 pessoas, e acusou o primeiro-ministro de não ser um estadista, mas antes um "político habilidoso", que, perante a tragédia, "não teve fibra nem caráter".

Para o CDS, "o Estado falhou de modo concreto pois os responsáveis políticos não souberam executar uma política eficaz de combate aos fogos." No hemiciclo, Assunção Cristas reconheceu que as condições meteorológicas que se verificaram nas regiões afetadas pelas chamas eram "dificílimas", mas, sublinhou, "não eram inesperadas".

O Estado falhou, mas não falhou de modo abstracto, falhou de modo concreto porque os seus responsáveis políticos não souberam executar uma politica eficaz de combate aos fogos. O Governo sabia das condições meteorológicas dificílimas que se verificaram no nosso território, condições extremas, mas não inesperadas."

E lembrou que após a tragédia de Pedrógão Grande, os mesmos "erros" voltaram a repetir-se. 

A líder centrista também criticou o Governo por este não ter pedido desculpa pelo sucedido e pelas mensagens "inqualificáveis" que passou à população, após a tragédia. 

"O Governo recusou-se a pedir desculpa pelo sucedido, recusou assumir responsabilidades, culpando o clima e a floresta. (...) O Governo falhou porque quando dezenas de pessoas perderam a vida, os responsáveis apresentaram-se com mensagens inqualificáveis (...) deixaram claro que deviam ser os portugueses a autoprotegerem-se, que não podiam esperar pelo Estado."

Cristas deixou várias críticas à atuação do primeiro-ministro, acusando-o de não ser um estadista, mas antes um "político habilidoso".

O primeiro-ministro falhou, mas não o reconheceu. Quando o país precisava de um estadista, constatou que tinha apenas um politico habilidoso."

Mais tarde, já na resposta às intervenções dos deputados, voltou a apontar baterias a António Costa, acusando-o de não ser capaz de ter uma palavra "humana" para as vítimas desta tragédia. A presidente do CDS disse mesmo que "perante a tragédia", o primeiro-ministro "não teve fibra nem caráter".

Quem falha uma vez, quem falha uma segunda vez e quem nem uma palavra humana tem para deixar neste Parlamento não tem estatura para ser primeiro-ministro de Portugal."

Cristas deixou muitas críticas, mas também ouviu outras tantas, das bancadas da esquerda claro.

Os deputados do PS João Paulo Correia e Jamila Madeira lembraram que a líder do CDS teve a pasta da Agricultura no Governo PSD/CDS e que, nessa altura, "não fez nada pela floresta". Os socialistas defenderam que, não só Cristas não fez nada pela floresta ou pelos territórios afetados pelos fogos, como foi ela a responsável pela liberalização do eucalipto.

Quando na função de ministra da Agricultura, não acrescentou nada para este debate, apenas a lei do eucalipto. Muitos eucaliptos foram travados. (...) Todos estes territórios foram abandonados, sem centros de saúde, sem hospitais, deixados à sua sorte", frisou Jamila Madeira.

E à questão do eucalipto Cristas respondeu com números: "Entre 1995 e 2000 o número de eucaliptos cresceu à razão de 6000 hectares por ano. Entre 2013 e o primeiro semestre deste ano cresceu apenas 2700 hectares por ano, um terço do crescimento que apanhou os vossos governos".