A futura líder do CDS-PP Assunção Cristas disse hoje que a lista alternativa de Filipe Lobo D’Ávila ao Conselho Nacional não a incomoda e representa “um sinal de vivacidade”, acrescento e pluralismo do partido.

É um sinal de acrescento muito positivo e um sinal de pluralismo. É bom”, afirmou Cristas à chegada do segundo de dois dias do 26.º Congresso do CDS.

Assunção Cristas garantiu que a lista alternativa apresentada pelo deputado e porta-voz do CDS não a “incomoda nada” e que “é um sinal de vivacidade do partido”.

As listas têm gente boa e isso é positivo”, assinalou a dirigente que momentos antes da votação de hoje disse estar acompanhada pela família que “veio assistir ao discurso final”.

Por sua vez, o porta-voz do CDS Filipe Lobo D’Ávila justificou ter apresentado uma lista alternativa à de Assunção Cristas ao Conselho Nacional para dar “vivacidade e diversidade” ao partido que, garante, não fica diminuído ou dividido.

Num congresso com mais de mil militantes seria estranho que só houvesse uma lista ao Conselho Nacional”

Lobo D’Ávila explicou que na base da sua decisão de apresentar uma lista alternativa esteve a vontade de dar um “contributo no debate de ideias” naquele que disse ser o “órgão principal do partido” e por considerar que lançar uma “lista pela positiva” era uma “sequência natural” do que foi afirmando ao longo do primeiro dia de trabalhos.

Entendemos que é uma sequência das ideias que aqui trouxemos e do caminho de contributo que quisemos aqui dar, de forma natural, no parlamento do partido”, realçou o congressista para quem esta lista “vem dar alguma vivacidade, diversidade, vem acrescentar”.

O democrata-cristão garantiu ainda que esta “diversidade” não significa uma divisão no partido, sustentando que “há união mas há diversidade no pensamento, há união mas há diversidade de personalidades e de caminhos”.

Questionado mesmo se mesmo com duas listas ao Conselho Nacional o partido sairá do congresso unido, Lobo D’Ávila respondeu: “sim, não tenho a mínima dúvida, por mim será”.

O partido não fica diminuído com a afirmação de algumas ideias, como nós aqui quisemos fazer. Bem pelo contrário, o objetivo é acrescentar, nós queremos acrescentar. Se o partido quiser que haja um acrescento, nós cá estaremos”, frisou o dirigente para quem na política não é necessário “estar do contra por estar do contra”.

Já sobre a moção e ideias da nova líder do partido, o deputado centrista assinalou que Assunção Cristas “já foi dizendo ao que vem”, acrescentando esperar hoje, no último dia do congresso, “um discurso com uma forte componente política” e onde “já possa adiantar muito daquilo que são os projetos que quer, muito do que quer em termos de projeto para o futuro”.

“Muitas das pessoas que acompanham Assunção Cristas, e que estarão na comissão diretiva, também já foram dizendo qual é o caminho e portanto não há um vazio de ideias. É bom que existam muitas ideias, é por isso também que cá estamos”

Nuno Melo considera natural e saudável duas listas

O vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo afirmou que é natural e saudável existirem duas listas concorrentes ao Conselho Nacional do partido.

É sempre saudável, um partido que não se renova, que não apresenta nada de novo, seria também estranho numa alteração de liderança, é normal que quem vem de novo tenha as suas escolhas”, disse o dirigente centrista à entrada para o segundo dia do 26.º Congresso do CDS-PP.

Sobre a renovação nas listas aos órgãos nacionais do partido, cuja eleição está a decorrer no Pavilhão Multiusos de Gondomar durante a manhã, Nuno Melo considerou que “estes órgãos trazem muito do portismo [liderança de Paulo Portas] e agregam algumas escolhas que são da candidata à presidência do partido, como é normal”.

Ninguém acharia previsível sequer que mudando a liderança tudo ficasse na mesma”

Ao Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre congressos, concorrem duas listas: a da futura líder Assunção Cristas e a do deputado e porta-voz do CDS-PP Filipe Lobo D'Ávila.

O 26.º Congresso do CDS-PP é marcado pela despedida da liderança de Paulo Portas durante 16 anos e deverá consagrar Assunção Cristas como a nova presidente dos democratas-cristãos.

Assunção Cristas irá ter quatro vice-presidentes (em vez dos oito da direção de Paulo Portas): Nuno Melo, que se mantém, Adolfo Mesquita Nunes e Cecília Meireles, que sobem de vogais da comissão executiva, além de Nuno Magalhães, que continua na vice-presidência por inerência por ser líder parlamentar.