A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, admitiu que António Costa está no Governo “para durar”, numa entrevista à revista Sábado em que exclui uma coligação com o atual PS com vista a uma maioria absoluta.

“Não faz sentido imaginar isso [coligação com o PS]. António Costa está, e está para durar. Chegou ao poder da forma como chegou. Quem chega ao poder assim, fará tudo para lá continuar. Não tenho nada a ideia de que isto esteja quase a acabar, não vou fazer cenários. No CDS vemo-nos como oposição ao Governo das esquerdas e como parceiros do PSD”, sublinhou.

Cristas revelou que o seu objetivo é levar ao crescimento e à afirmação do partido, salientando que, para tal, é uma adversária à governação das esquerdas, com as quais não pensa aliar-se.

“Vejo-me como uma adversária à governação das esquerdas, procurando contribuir para que o CDS tenha a maior dimensão possível para termos o centro-direita com 116 ou mais deputados e voltar a governar”, explicou.

Questionada sobre uma coligação com o PS para formar maioria absoluta, Assunção Cristas referiu que a questão “não se coloca e nem se vai colocar nos próximos tempos”, rejeitando qualquer acordo com António Costa, que considerou ter feito “uma opção claríssima pelas esquerdas radicais”.

A líder do CDS-PP sublinhou que o PSD seria “um aliado mais natural” para o CDS.

Em relação às autárquicas, Assunção Cristas não excluiu candidatura à Câmara de Lisboa, caso seja essa a vontade do partido.

Recordou que o partido se comprometeu a apresentar uma “candidatura forte e mobilizadora”, embora não tenha sido escolhido ainda qualquer candidato.

“Toda a gente achou que era eu, coisa que é extraordinária porque parece que não há outras pessoas no CDS capazes de protagonizar uma candidatura forte e mobilizadora. Ainda estamos a ponderar a solução para Lisboa (…) Se houver uma decisão do CDS no sentido de eu ser candidata, posso garantir que ficarei até ao fim”, garantiu.

Quanto ao anterior líder do partido, Paulo Portas, que ocupou o cargo durante 17 anos, Assunção Cristas admitiu não manter um contacto regular com o mesmo, referindo que o ex-presidente do CDS-PP “tem estado muito ocupado” e, como tal, também não o consultou para tomas as suas principais decisões: “não tem havido tempo para isso”.