O deputado do CDS eleito pela Madeira na Assembleia da República, Rui Barreto, criticou hoje a política de «ziguezague constante» do PSD da região quanto ao Orçamento do Estado (OE).

«O CDS-PP Madeira é frontalmente contra a prática política de "ziguezague" constante do PSD-M, de que as recentes declarações do deputado Guilherme Silva em defesa do Orçamento do Estado são só mais um exemplo, prática política essa que retira credibilidade a quem a desenvolve», declarou em conferência de imprensa o parlamentar centrista madeirense, que votou contra o texto.

Rui Barreto apontou que, ao longo deste processo que resultou na aprovação do OE para 2014, «o Governo Regional da Madeira emitiu um comunicado, a Assembleia Legislativa da Madeira emitiu um parecer, a comissão parlamentar de Política e Finanças também, todos eles em tom especialmente crítico em relação a este orçamento, mas os votos dos paramentares do PSD-Madeira não foram condizentes» com essas posições.

Os deputados do PSD-M na Assembleia da República votaram a favor da proposta do OE para 2014, enquanto Rui Barreto pelo segundo ano consecutivo votou contra.

«É esta política de ziguezague constantes, de dizer uma coisa hoje e fazer o oposto amanhã, esta espécie de "chico-espertismo" do século passado, aliado ao ato de esconder faturas, de não fomentar a transparência e o rigor na gestão da coisa pública, de ocultar a dívida, que retira credibilidade negocial ao Governo Regional junto das instituições da República», argumentou o deputado centrista insular.

Rui Barreto declarou que «não pode o PSD-Madeira na votação final global pedir explicações ao deputado do CDS, quando este foi coerente com todas as declarações e posições que tomou», sustentando que «quem deve dizer porque aqui na Madeira diz uma coisa e na Assembleia da República faz outra são os deputados do PSD desta região, que a mando do dr. Jardim votaram a favor de um OE que tanto criticaram».

O deputado do CDS-PP vincou que os representantes sociais-democratas da região em São Bento adotaram esta posição mesmo perante o facto de «nenhuma das propostas (...) terem sido aceites».

Adiantou que é tempo dos responsáveis serem «sérios e de fazer da política uma atividade credível aos olhos das populações, defendendo em primeiro lugar o interesse público, sobrepondo-o aos interesses partidários».

Rui Barreito reiterou as razões que o levaram a votar contra o OE para 2014, mencionando que «era tempo de corresponder à expectativa positiva que o ligeiro crescimento gerava, através de um orçamento de esperança», e que o corte substancial nos rendimentos dos funcionários públicos «poderá significar um duro golpe na já debilitada economia da Madeira».

O deputado centrista da Madeira está suspenso da militância do partido por seis meses, uma sanção aplicada pelo Conselho de Jurisdição do partido a partir de janeiro, por ter adotado idêntica posição em relação ao Orçamento de Estado para 2013.

Em sede de votação final global, numa declaração de voto, o deputado do PSD Guilherme Silva justificou que os representantes da Madeira, embora discordando em algumas matérias da proposta, tiveram de efetuar uma «avaliação de um clima que é necessário de manter (...) quando estão pendentes questões muito relevantes para a região».