O ex-líder do CDS-PP José Ribeiro e Castro defendeu hoje ser incorreto dizer que a maioria PSD/CDS-PP ganhou as últimas eleições legislativas, dizendo que a coligação foi a mais votada mas “perdeu nos penáltis” porque não conseguiu governar.

“Na minha opinião, não é correto dizer que ganhámos as eleições, temos nós e o PSD de acabar com essa narrativa: é falso que tenhamos ganho as eleições, se tivéssemos ganho as eleições estávamos a governar”, afirmou Ribeiro e Castro, numa intervenção perante o 26.º Congresso do CDS-PP, que decorre em Gondomar até domingo.

Para o anterior líder dos democratas-cristãos, nas eleições de 4 de outubro de 2015 – em que a coligação PSD/CDS-PP foi a mais votada mas sem maioria absoluta – “ninguém ganhou” e fez uma analogia com um jogo de futebol.

“O que acontece quando ninguém ganha? Vai-se a penáltis, a política portuguesa foi a penáltis e nós perdemos nos penáltis talvez porque estávamos convencidos que já tínhamos ganho a taça”, afirmou.

Ribeiro e Castro defendeu que o CDS não deve considerar a atual maioria de esquerda uma solução ilegítima, sobretudo se quiser utilizar o mesmo argumento em próximas eleições, como já hoje fizeram Paulo Portas e Assunção Cristas ao dizerem que “o voto útil acabou”.

Não é preciso ser o mais votado para ser governo, sempre dissemos isso em várias eleições”, defendeu.

O ex-presidente do CDS-PP aproveitou para deixar um elogio a Paulo Portas, que hoje se despediu dos militantes.

Faço-o com sinceridade, sem hipocrisia, é sabido que fui bastante crítico do rumo do partido e assim me mantenho (…) mas isso não apaga o respeito e admiração”, disse.

Ribeiro e Castro disse considerar que a liderança de Paulo Portas se estendeu pelos últimos 18 anos – incluindo os dois anos em que ele próprio liderou o partido.

Eu era o presidente do partido mas não era chefe de banda”, afirmou, pedindo – e recebendo – um novo aplauso para Paulo Portas, que nas últimas horas não tem estado presente na mesa da direção.

Ribeiro e Castro elogiou a intenção de Assunção Cristas de tornar o partido mais institucional e orgânico, avisando que os órgãos nacionais “são de deliberação e não de consulta”.

Estou preocupado com o debate a que assisto entre liberdade e pragmatismo”, confessou, considerando que foi essa discussão que, no passado, tornou o CDS o chamado ‘partido do táxi’.

Para o anterior líder democrata-cristão, o CDS deve afirmar-se como mais doutrinário, tal como o PSD é mais pragmático, nomeadamente em temas como a família e a definição de vida desde a conceção à morte natural, lamentando que o centro-direita não o tenha manifestado quando o ex-Presidente da República vetou diplomas nas chamadas ‘matérias fraturantes’ como a adoção por casais homossexuais e da interrupção voluntária da gravidez.

Reforma do sistema político, descentralização e a reforma do Estado foram os temas a que Ribeiro e Castro aconselhou o CDS a dedicar-se: “Feliz será Portugal se conseguir resolver estes três problemas e grande será o futuro do CDS se formos nós a trazer soluções no futuro para estas inquietações”.