O candidato da coligação PSD/CDS-PP às europeias Nuno Melo afirmou hoje que o candidato socialista está «equivocado», porque o fim do programa é em maio, apesar de «procedimentos técnicos» para disponibilizar a última "tranche" do empréstimo decorrerem depois.

«Uma coisa é o fim do memorando, que será nesta data, maio de 2014, outra coisa são os procedimentos técnicos com vista à libertação da última "tranche"», afirmou Nuno Melo aos jornalistas, no parlamento português, referindo que «Portugal comunicará bastante antes da data do fim do prazo aquilo que sucederá, como aconteceu relativamente à Irlanda».

O cabeça de lista do PS às eleições europeias de 25 de maio, Francisco Assis, considerou hoje que a saída da troika em junho corresponde à perspetiva da assinatura do memorando e que a data de 17 de maio foi encenada pelo Governo.

«Quem manifestamente estará equivocado é o doutor Francisco Assis, o que é estranho tendo em conta ter sido líder parlamentar socialista e com responsabilidades não só ao tempo da governação que nos levou à subscrição do memorando como aos tempos da subscrição desse memorando, com termos que seria suposto conhecer muito bem», disse Nuno Melo.

O eurodeputado e candidato às europeias na lista da coligação Aliança Portugal acusou ainda o PS de apresentar listas às europeias que «beneficiam o infrator».

«O infrator tem rosto, rostos daquele que foi o líder parlamentar do engenheiro José Sócrates, cabeça de lista Francisco Assis, e braço direito do engenheiro José Sócrates [Pedro Silva Pereira] e vários outros governantes do tempo de Guterres», disse.

«Era também nisto e no que isto significa que o doutor Francisco Assis se devia concentrar», declarou.

O jornal norte-americano Wall Street Journal noticia hoje que a saída de Portugal do programa de assistência financeira foi adiada até ao final de junho, uma vez que os credores internacionais remetem o pagamento da última "tranche" para depois das eleições europeias.

«O que estava previsto, desde que assinámos o memorando, era que sairíamos (...) três anos depois e a perspetiva era que saíssemos precisamente em junho. Pelos vistos, da parte do FMI sempre foi essa a perspetiva de que a saída seria em junho», afirmou Francisco Assis à agência Lusa, no início de uma ação de pré-campanha na Guarda.

O candidato socialista referiu que «a data do 17 de maio, em concreto é, de facto, uma grande encenação política construída sobretudo pelo Dr. Paulo Portas que visa por essa maneira montar uma grande ação de propaganda com a expectativa de, com isso, condicionar os resultados das eleições europeias, só que os portugueses já não se deixam enganar».

Melo cita entrevista de Seguro

Mas o eurodeputado também afirmou hoje que a decisão do PS de acompanhar a discussão da petição pela reestruturação da dívida de um projeto de resolução «contrasta com o pensamento escrito» de António José Seguro, que, citou, disse que reestruturar seria uma «tragédia nacional».

O também vice-presidente do CDS-PP citou uma entrevista do atual secretário-geral do PS, António José Seguro, ao jornal oficial socialista, quando era candidato à liderança do partido em que afirma ser »contra a reestruturação da dívida, porque seria uma tragédia nacional»

«Estou a falar do secretário-geral do PS, exatamente aquele que também diz que não promete nada que não possa cumprir. Esta é uma promessa feita em campanha, no caminho que o levou à liderança do PS e com adjetivos que não têm sequer dupla interpretação», disse o centrista.