O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, acusou hoje o PS de ser internamente um «travão ao compromisso» e externamente estar «em contramão contra tudo e contra todos» e até contra a sua família política europeia.

«Parece que internamente, o PS funciona como uma espécie de travão ao compromisso e externamente está em contramão contra tudo e contra todos, contra o rumo da Europa, contra o rumo daqueles que lhe são próximos também estão a traçar, como o senhor Steinmeier ou o senhor Hollande», afirmou Magalhães.

A referência ao ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, e ao Presidente francês, François Hollande, foi feita pelo presidente da bancada centrista no debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República.

Nuno Magalhães falou da «credibilidade internacional que neste momento o país goza e que é cada vez maior».

«De resto, esta semana, pudemos ouvir esse mesmo reconhecimento e essa mesma credibilidade de um responsável do governo alemão que diz, e cito, "Portugal está a fazer grandes progressos e está a começar a caminhar pelo seu próprio pé e parece que a crise económica está a ser superada"», afirmou.

«Não, senhores deputados, não foi a senhora Angela Merkel, quem disse isto foi o senhor Frank-Walter Steinmeier, do SPD, da família europeia do Partido Socialista», frisou.

Para o CDS, é «incompreensível a posição que o PS parece querer assumir em Portugal», que «parece não querer contribuir para esse compromisso alargado, que mais do que beneficiar o Governo e a maioria, beneficiaria os portugueses, como parece também ir contra políticas propostas ou executadas por governos ou partidos da oposição da mesma família política do PS».

O líder parlamentar centrista reiterou que «o diálogo com o PS deve ser uma prioridade», porque «mais tarde ou mais cedo, será uma inevitabilidade».

Magalhães referiu-se ao indicador de atividade económica de janeiro de 2014, revelado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) que subiu 2,5%, em termos homólogos, assim como o consumo privado, que também registou uma subida de 25%.

«Revela confiança das famílias, dos investidores, das empresas nas reformas que têm vindo a ser feitas e no caminho que tem vindo a ser percorrido», disse.

Essa confiança, sublinhou, «é extensível à OCDE», Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, e citou um relatório divulgado por aquela entidade há uma semana, segundo o qual o indicador da economia portuguesa sobe há 20 meses consecutivos, e que salientou que «Portugal é o 6º país que melhor cumpre as reformas recomendadas pela própria OCDE».

«É preciso ler os relatórios até ao fim e ler todos os relatórios», declarou.

No relatório "Society at a Glance" - Indicadores Sociais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), o secretário-geral da organização que junta cerca de 40 dos países mais desenvolvidos, Angel Gurria, escreve que, no seguimento da crise financeira e económica que começou no final da década passada, «a prioridade deve ser garantir que as políticas sociais são "à prova de crise"».

Em relação ao caso concreto de Portugal, a OCDE acusa o país de ser «pouco generoso com os mais pobres», referindo que a maior parte dos benefícios financeiros vai para os grupos com maiores rendimentos.