O eurodeputado português Nuno Melo, do CDS-PP, interpelou esta sexta-feira a Comissão Europeia, o Conselho e a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros sobre a «onda de raptos vivida em Moçambique», atingindo cidadãos portugueses.

Na pergunta prioritária enviada e divulgada esta sexta-feira em Bruxelas, o líder da delegação do CDS-PP ao Parlamento Europeu questiona em concreto a UE sobre «qual a intervenção até ao momento exercida junto do Estado Moçambicano, bem como dos representantes políticos da Renamo e da Frelimo, com vista à localização e libertação dos cidadãos portugueses e ao retorno à paz e à normalidade democrática».

Na missiva, Nuno Melo sustenta que «a União Europeia, até pelo auxílio financeiro que presta, deve ser muito mais do que um simples espetador, perante um conflito que terá tanto melhor resolução quanto mais rápida e decidida for a intervenção das suas instituições e representantes, realizando todas as diligências necessárias à localização e libertação dos cidadãos raptados e instando as partes beligerantes ao diálogo».

O deputado democrata-cristão assinala ainda que «Moçambique vive a sua pior crise política e militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992 e os raptos e violência vividos, colocando em risco o património, a integridade física e a vida das pessoas, têm levado trabalhadores, empresários e investidores europeus, bem como as respetivas famílias, a abandonarem o país».

Na quarta-feira, questionado pela agência Lusa sobre a situação em Moçambique e os raptos de cidadãos portugueses em particular, o porta-voz da Alta Representante para os Negócios Estrangeiros indicou que Catherine Ashton, «através da delegação da UE e em coordenação com os Estados-membros da UE representados em Maputo, está a seguir de perto os acontecimentos no terreno».

As principais cidades moçambicanas vivem uma onda de raptos desde há dois anos, encontrando-se atualmente em cativeiro dois portugueses - um homem e uma mulher, esta última sequestrada na passada terça-feira na Matola, cidade satélite de Maputo -, depois de na quinta-feira ter sido libertado um jovem português raptado no final de outubro na zona do Bairro da Coop, no centro da capital moçambicana.