O primeiro candidato do CDS-PP da Aliança Portugal, Nuno Melo, recusou este domingo retirar quaisquer conclusões das eleições europeias para legislativas, sublinhando que o PS não teve «nenhuma vitória estrondosa», apesar da «conjuntura particularmente favorável».

«Não faz nenhum sentido retirar destas eleições, que são europeias, conclusões para eleições legislativas», declarou Nuno Melo, em declaração conjunta com o cabeça de lista, o social-democrata Paulo Rangel no centro de convenções de um hotel de Lisboa onde a candidatura está reunida.

O candidato centrista reconheceu a vitória do PS e cumprimentou o cabeça de lista socialista, Francisco Assis, mas referiu que «nestas eleições europeias o PS fica muito abaixo dos 44%, ou seja, do seu resultado de 2004».

«Se o PS fica muito abaixo do seu resultado de 2004, que foi 44%, não teve obviamente nenhuma vitória estrondosa, muito embora concorrendo até numa conjuntura particularmente favorável. Os dois partidos coligados representam para todos os efeitos os dois partidos que estão no Governo, e aplicaram um programa que foi difícil e de austeridade», argumentou.

Melo pediu também um «esforço» ao vencedor das eleições para atender à «memória histórica» e lembrou que «o PS venceu em 2009 eleições legislativas, sendo que antes, nas europeias tinha obtido um resultado de cerca de 26% em europeias».

O primeiro candidato do CDS-PP sublinhou que a vitória dos socialistas «não justifica triunfalismos».

O eurodeputado quis ainda frisar o peso da abstenção, afirmando que «cerca de dois terços do país não votou».

«Com uma alta taxa de abstenção, os fenómenos de protesto nos extremos ganham força e isso justifica aparentemente algum do resultado que nesses extremos desde já se começa a antever», concluiu.

Nuno Melo disse não querer fazer «comentário político, muito menos com base em resultados que não são provisórios», mas assumiu a derrota.

«Uma coisa que não faço aqui é assumir vitórias à Bloco de Esquerda, nós perdemos», disse.

O PS venceu as eleições para o Parlamento Europeu e a coligação Aliança Portugal ficou em segundo lugar, mas a surpresa da noite eleitoral foi a eleição de Marinho e Pinto pelo MPT. A CDU será a terceira força política entre os eurodeputados portugueses.