A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou esta quinta-feira que as propostas de revisão constitucional que a bancada irá apresentar, ainda sem prazo definido, incluirão outras matérias para além da nomeação do Governador do Banco de Portugal.

Assunção Cristas afirmou que a questão da supervisão bancária e a forma de nomeação do governador do Banco de Portugal "é um aspeto entre outras questões que virão" do trabalho que o partido iniciará no seu gabinete de estudos e para o qual contará com o contributo de independentes.

"Não temos neste momento uma preocupação central de ir rever a Constituição da República, queremos dar respostas concretas para resolver questões concretas que têm impacto na vida dos portugueses e é daí que nascerão os tópicos para a revisão constitucional", disse.

De acordo com a Lusa, a presidente do CDS-PP falava aos jornalistas no final de uma audiência com dirigentes do Partido Ecologista "Os Verdes", na sede do partido ecologista, em Lisboa, solicitada pela nova direção centrista após o Congresso do passado fim de semana para apresentação de cumprimentos.

Assunção Cristas sublinhou que o CDS-PP já tem "trabalho feito", lembrando que o partido apresentou projetos de revisão em 2010, num processo de revisão constitucional que foi interrompido pela convocação de eleições antecipadas.

Em 2010, o CDS-PP propôs a eliminação do Preâmbulo da Constituição, a consagração de um limite à carga fiscal, que não poderia ultrapassar os 35 por cento do Produto Interno Bruto, e a eliminação dos Governos Civis.

O projeto do CDS-PP conferia ao Presidente da República o poder de nomear dois dos juízes do Tribunal Constitucional, reduzia os prazos eleitorais e propunha que os titulares de cargos políticos condenados no exercício de funções não pudessem ser eleitos para mandatos futuros.

"A minha preocupação não é com o `timming´, é com as políticas e com a forma como encontramos respostas", disse a recém-eleita líder do CDS-PP, adiantando que reunirá a Comissão Executiva do partido na sexta-feira para dar início a esse trabalho.

Audiência inédita com o PEV 

Uma delegação do CDS-PP presidida por Assunção Cristas reuniu-se esta quinta-feira pela primeira vez com dirigentes do Partido Ecologista os Verdes (PEV) na sede deste partido, em Lisboa, numa iniciativa saudada pelas duas direções partidárias como "normal" em democracia.

"Parece que é inédita mas eu espero que o CDS possa fazer muitas coisas inéditas", afirmou Assunção Cristas, justificando o pedido de audiência ao PEV para apresentação de cumprimentos da nova direção centrista após o 26º Congresso do partido, no fim de semana passado.

A líder do CDS-PP, acompanhada por duas vogais da Comissão Executiva, Ana Rita Bessa e Teresa Anjinho, estiveram cerca de meia hora reunidas com Manuela Cunha, Dulce Arrojado e Vítor Cavaco.

"Somos oposição clara e firme a este Governo apoiado nos partidos mais à esquerda do nosso espectro político mas isso não quer dizer que não possamos conversar com todos, de forma educada e de forma cordata e nalguns aspetos até encontrar um ou outro ponto de preocupação comum e foi uma boa conversa do PEV", afirmou Assunção Cristas, que à tarde se reunirá para o mesmo efeito com o PCP e com o BE.

Do lado do PEV, Manuela Cunha afirmou que o partido "aceitou com bom agrado a conversa", considerando que "é normal" numa democracia partidária e plural.

"Em termos de pedido de audiência foi a primeira vez que isto aconteceu e da nossa parte entendemos que isto é normal numa democracia partidária plural que existe em Portugal e aceitámos com bom agrado esta conversa que tivemos à volta de um conjunto de situações do país", disse.

Manuela Cunha disse que foram trocadas "opiniões sobre questões de ordem ambiental, social" e sublinhou que o diálogo com o CDS-PP já existia a nível parlamentar, tal como com os restantes partidos.

"Quando pontualmente há opiniões comuns, elas traduzem-se em termos de aprovação de propostas parlamentares", com o CDS ou com os outros partidos, seja na área ambiental, social ou económica, disse.