A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, disse esta sexta-feira que os dados da execução orçamental comprovam que o Governo está a retirar rendimentos de um lado para os repor noutro, dando uma ilusão errada aos contribuintes.

“As pessoas podem sentir que têm um pedacinho mais de rendimento no bolso, mas basta olhar para os dados da execução orçamental, que saíram ainda agora, para perceber que aquilo porventura que receberam de um lado foi-lhes tirado por outro. Basta olhar para aquilo que foi o aumento dos impostos, 2,8% a mais de recolha de impostos”, salientou.

Assunção Cristas falava, em Angra do Heroísmo, nos Açores, na apresentação do cabeça de lista do CDS-PP pelo círculo eleitoral da ilha Terceira às eleições legislativas regionais de 16 de outubro.

Para a líder centrista, a execução orçamental está a correr bem à conta do bolso dos portugueses, que estão a pagar a “austeridade à la esquerda”, por exemplo nos impostos dos combustíveis.

“É um Governo que prefere demagogicamente repor as 35 horas, achando que isso não tem impacto nenhum em ninguém, que prefere demagogicamente dizer que vai dar tudo a todos, repondo de forma aparente e artificial o rendimento, que depois vai retirar por outro lado”, salientou.

Assunção Cristas disse que a carga fiscal vai continuar a aumentar, porque as medidas do atual Governo não trazem possibilidade de aumentar a riqueza.

“A recolha do IVA não aumenta, a recolha do IRS não aumenta e porque é que não aumenta, porque não há mais atividade económica, porque aquilo que nós vemos é um crescimento anémico, 0,2% em cadeia, trimestre após trimestre, 0,8% comparado com o ano passado, quando o ano passado estávamos a crescer 1,5%”, frisou.

Para a líder centrista, a receita do Governo passa por aumentar a dívida e atrasar os pagamentos.

“30 milhões de euros é que o cresce a dívida dos hospitais por mês, o prazo do pagamento das dívidas está a aumentar e a dívida pública, que estava numa trajetória descendente, está a crescer e já estamos a 132% do PIB”, disse.

Assunção Cristas considerou ainda que o Governo foi “incompetente e trapalhão” na resolução da situação da Caixa Geral de Depósitos, alegando que ainda não se sabe quanto vai custar a recapitalização do banco ao bolso dos portugueses.

“Daria vontade de rir se não fosse tão grave. Como é que isto pode tranquilizar alguém? Quer-nos fazer convencer de que, como não vai ao défice, porque foi acordado com Bruxelas, não tem consequências. Se não vai ao défice, tem de ser financiado através de dívida. A dívida paga-se. Pode não se pagar hoje, mas vai-se pagar depois e vai-se pagar com impostos”, apontou, referindo-se às declarações do Primeiro-Ministro.