O líder da tendência do CDS-PP Alternativa e Responsabilidade defendeu, este sábado, que pessoas como as que representa foram traídas pelo atual Governo e podem não ter alternativa à abstenção, fazendo exigências para um novo voto de confiança.

Em declarações à agência Lusa, Filipe Anacoreta considerou que antes de decidir se existe coligação PSD/CDS-PP há que haver mobilização para um projeto político, e é para dar espaço à afirmação das medidas que considera imprescindíveis que organizará a 7 de março um encontro em Lisboa, aberto à participação de independentes.

«Pessoas como nós têm vindo ao longo deste tempo de Governo a confrontar o partido com uma visão bastante crítica. Em muitos aspetos, nós não nos revemos na forma como a coligação foi conduzida e a questão que deve ser colocada do ponto de vista eleitoral é se eleitores como nós têm alternativa à abstenção», defendeu.

Para Filipe Anacoreta, que obteve mais de 16% na lista concorrente à de Paulo Portas no último Congresso do partido, é certo que o projeto do PS é «muito negativo para Portugal».

«Questão diferente é saber se a coligação e o partido devem merecer o voto de confiança que nos frustraram anteriormente, porque, na verdade, nós votámos neste partido, e outras pessoas no PSD, mas muitas dessas pessoas, como nós, sentimo-nos traídos, sentimos que as nossas aspirações não foram totalmente satisfeitas», afirmou.

«A questão que tem de se colocar é saber se um projeto qualquer de coligação é de tal maneira estruturante, é de tal maneira aberto às nossas exigências de abrangência, de novidade, de aceitação de compromisso com medidas concretas que deva merecer em vez da abstenção o nosso voto de confiança de novo», sublinhou.

As exigências a que se refere passam pela assunção da «questão da verdade» em política, defendendo que «haja coragem de, mesmo em período eleitoral, se referir as questões difíceis de abordar».

«Vamos exigir que haja uma clareza e transparência muito grande em matérias como a consolidação da segurança social», apontou, sublinhando que o mesmo se passa com a questão do papel e da reforma do Estado, que, considera, «ficou manifestamente aquém das expectativas que foram criadas».

Filipe Anacoreta disse recusar falar da coligação «só em termos de lugares e de saber se os partidos vão juntos», e ressalva que as eleições na Madeira atrasam compreensivelmente o calendário para uma definição da coligação, sublinhando que, desde o último Congresso, de janeiro de 2014, em Oliveira do Bairro, que defendeu que a decisão tenha um envolvimento alargado do partido, com um congresso extraordinário ou um referendo interno.

«Será que em abril temos tempo para dar início a um processo eleitoral alargado ou a convocação de um congresso extraordinário? Eventualmente, sim, não tenho resposta definitiva para isso, mas tenho prioridades: primeiro um projeto político, depois a mobilização dos partidos em torno dele», afirmou.

O encontro de dia 7 de março pretende projetar um «olhar distanciado mas comprometido» e «não discutir o que é imediato e efémero», mas «criar um espaço de cidadania na área moderada democrática».

Terá convidados como o ex-primeiro-ministro de Cabo Verde Carlos Veiga, os ex-líderes do CDS José Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro, e a presidente da Associação Nacional de Ciência Política, Raquel Vaz Pinto, entre outros.

Os painéis deverão discutir a «emergência extremismo na Europa e o novo horizonte ético colocado pelo fenómeno da corrupção», bem como as questões da dívida, do euro, a fiscalidade e as matérias fiscais relacionadas com o papel do Estado, bem como questionar a centralização das matérias educativas, como a escolha de programas e manuais escolares.