A líder do CDS, Assunção Cristas, responsabilizou o primeiro-ministro, o socialista António Costa, por eventuais sanções que venham a ser aplicadas a Portugal, devido ao défice excessivo de 2015.

A dirigente centrista, que falava aos jornalistas na cidade da Horta, nos Açores, à margem das jornadas parlamentares do CDS que tiveram início no arquipélago esta segunda-feira, assegurou, mesmo assim, que o seu partido irá empenhar-se para evitar que essas sanções venham a ser aplicadas.

Nós não deixaremos de estar neste debate, não deixaremos de estar presentes e mostraremos a nossa visão das coisas", declarou Assunção Cristas, que considera existir uma "unanimidade" em todo o país contra a aplicação de sanções europeias a Portugal.

A líder nacional do CDS entende, no entanto, que o Governo ainda possui as "ferramentas" para evitar sanções, lamentando, porém, que não as tenha querido utilizar até agora.

Não há dúvida nenhuma de que está nas mãos no primeiro-ministro evitar que o défice para 2015 seja fixado em 3,2% e eu não vi o senhor primeiro-ministro empenhar-se nisso", lamentou Assunção Cristas, que lembrou que António Costa não fez "voz grossa em Bruxelas", nem apresentou qualquer explicação "técnica" ou "política" sobre o assunto.

No seu entender, o apelo do Governo a um eventual envolvimento dos partidos políticos nesta matéria não passa de uma "habilidade política" e de uma vontade de "atirar areia para os olhos dos portugueses".

Ele é que está a governar, é ele que tem nas suas mãos as ferramentas para evitar as sanções, não são os outros partidos", insistiu a dirigente centrista, acrescentando que "a responsabilidade é dele, é deste Governo e de quem o apoia".

As declarações de Assunção Cristas surgem em reação às notícias que dão conta de que o Estado português poderá vir a ser sancionado por Bruxelas, por ter ultrapassado a meta do défice fixada para 2015 (3%).

O CDS-PP recusa passar um "cheque em branco" ao Governo de António Costa e, por isso, exigiu esta segunda-feira conhecer quais são as "medidas concretas" que vai tomar para evitar as possíveis sanções com que a Comissão Europeia está a ameaçar Portugal por causa do incumprimento do défice de 2015. Já o PSD recusa entrar em lutas contra as instituições europeias por um assunto que é "uma falsa questão".