A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu este sábdo que a estratégia de alianças do partido ficará "completamente esclarecida" no Congresso centrista, insistindo que o partido deve concorrer em listas próprias a legislativas e europeias.

Nós queremos ter 116 deputados no centro direita em Portugal, queremos que o CDS contribua o mais possível para esse número e entendemos que a melhor forma de lá chegarmos é irmos em listas próprias autonomamente", defendeu Assunção Cristas à entrada para o 27.º Congresso do partido, que decorre entre hoje e domingo num pavilhão de Lamego.

A líder centrista chegou ao 27.º Congresso do CDS-PP debaixo de um aguaceiro, acompanhada pelo marido, e sublinhou aos jornalistas que a estratégia de alianças do partido está em continuidade com a linha da anterior reunião magna, em que sucedeu a Paulo Portas e passa por "muito trabalho".

Já ficou há dois anos, e neste Congresso também ficará completamente esclarecida, naquilo que está na nossa moção", declarou, vincando que o adversário do CDS-PP é António Costa e "as esquerdas unidas", e, numa referência ao PSD, disse que os "outros são amigos".

De acordo Assunção Cristas, "o CDS está onde sempre esteve, no centro e na direita".

Queremos ser o grande partido de centro e direita em Portugal, é isso que digo na moção e é isso que direi aqui hoje. Sabemos onde estamos e estamos onde sempre estivemos, com propostas muito construtivas, a pensar no dia a dia de todos e com a preocupação de ter soluções concretas", disse.

A presidente centrista sublinhou ainda a realização do Congresso em Lamego, no distrito de Viseu, como um sinal para uma discussão sobre a interioridade.

Estamos no interior do país, com algum esforço para todos, mas não podemos apenas falar do interior, é preciso virmos ao interior do país, valorizar, dinamizar, e hoje aqui estamos em Lamego, com um bocadinho de chuva, mas certamente com um ambiente muito quente lá dentro", declarou.

Dizendo esperar que a reunião magna centrista dê ao partido "força e genica para os próximos dois anos", a líder do CDS-PP reiterou o método de "muito trabalho, muito, muito trabalho de formiga, bons protagonistas, bons candidatos", e "as melhores ideias, que são construídas não apenas pelo CDS, mas com todo o país", "a ouvir Portugal".

Adriano e a matriz

O antigo presidente democrata-cristão Adriano Moreira afirmou no congresso desejar que a “matriz do CDS voltasse a vigorar” não apenas em Portugal mas também na Europa e elogiou a presidente do partido, Assunção Cristas.

Gostava que a matriz do CDS voltasse a vigorar não apenas entre nós mas na Europa”, afirmou Adriano Moreira, acrescentando que “a matriz desde a fundação da União [Europeia] foi praticamente obra da democracia-cristã” e se “deteriorou”.

É preciso recuperar”, disse, em declarações aos jornalistas à chegada ao 27.º Congresso do CDS-PP, durante o qual será homenageado.

Questionado sobre a liderança de Assunção Cristas, que o recebeu à entrada para o Pavilhão Multiusos de Lamego, Adriano Moreira destacou a “capacidade de inovação extraordinária” e disse que é preciso “dar o exemplo”.

Questionado sobre se a matriz do CDS-PP sofreu alguma desvirtuação, Adriano Moreira respondeu que “não sofreu qualquer alteração” e exortou os centristas a olharem para “o papa Francisco”.

A matriz não sofreu qualquer alteração. Agora, olhem para o papa Francisco, ele não tem outro Evangelho. Mas tem de ser adaptada às exigências novas que aparecem não apenas nos países mas no globalismo que não sabemos definir mas que estamos a viver”, declarou o professor universitário.