A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, critica a "ligeireza com que o Governo e o primeiro-ministro" tratam da questão das Secretas, sublinhando que há uma dupla ausência de liderança, no secretário-geral e na fiscalização.

Faltam as lideranças quer nos serviços de informação, quer na fiscalização dos serviços de informação. Creio que é um tema lamentável para o Governo e para o PS. Deixo esta nota de preocupação pela ligeireza com que o Governo e o primeiro-ministro tratam de matérias tão importantes para o país", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, à margem do European Roundtable 2017, da Fundação Konrad Adenauer.

A líder centrista sublinhou a existência de "uma ameaça global, uma ameaça na Europa", e da necessidade de os países estarem "seguros do seu caminho e que todos os instrumentos estejam bem apetrechados" para responder ao "desafio da segurança e do combate ao terrorismo".

Em Portugal nós não temos um chefe dos serviços de informação, como sabemos através destes episódios sucessivos e que não são brilhantes, pelo contrário. Revelam uma gestão muito ligeira por parte do Governo e também não temos a entidade e a pessoa que fiscaliza os serviços de informação", sustentou.

Em causa, no que respeita às Secretas, está a "indisponibilidade" manifestada pelo embaixador José Júlio Pereira Gomes para aceitar o cargo de secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP). Por outro lado, no Parlamento, a deputada e vice-presidente do PSD, Teresa Morais, falhou os dois terços necessários para ser eleita para o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações da República Portuguesa (CFSIRP), conseguindo 112 votos em 212 votantes.

O PS manifestou a sua oposição à escolha de Teresa Morais antes até da formalização da sua candidatura por parte do PSD, tendo a própria admitido, na terça-feira, que a sua eleição seria difícil.