O conselheiro nacional do CDS-PP Martim Borges de Freitas defendeu, este domingo; que a comissão política de segunda-feira deve analisar a possibilidade de se realizar um congresso extraordinário para discutir a política de coligação para as legislativas.

Em fevereiro, Martim Borges de Freitas, juntamente com os ex-dirigentes do CDS-PP Luís Lagos e Fernando Gião, enviaram ao presidente do Conselho Nacional do partido, Telmo Correia, uma carta a pedir a realização de um congresso extraordinário para que o partido se possa pronunciar «sobre a política de alianças que o CDS-PP deve adotar para as próximas eleições legislativas».

«Como amanhã (segunda-feira) existe comissão política do partido, é oportuno relembrar a carta, uma vez que não obtivemos resposta formal», disse à agência Lusa o ex-vice presidente da direção de José Ribeiro e Castro, adiantando que «é uma tentativa de pressão sobre essa matéria».

Martim Borges Silva considerou que «não basta um Conselho Nacional decidir se o partido deve ou não ir para uma coligação e definir as políticas de coligação do CDS-PP», defendendo que essa discussão dever ser feita «em congresso de uma forma aberta e sem condicionantes».

«Se o CDS quiser retomar e reaver a sua autonomia política estratégica face ao PSD deve fazer um congresso extraordinário», sustentou, relembrando que o último congresso do partido não tomou qualquer decisão quanto às políticas de coligação.

Martim Borges de Silva sublinhou também as últimas sondagens, que dão «uma estabilidade política, após as eleições legislativas, à esquerda e não à direita».

«O CDS e o PSD ganham sem maioria absoluta. Não havendo maioria absoluta é preciso saber qual o papel do CDS e como vai responder à não estabilidade política à direita», afirmou.

Martim Borges de Silva mostrou-se ainda favorável a «uma não coligação», devendo o CDS apresentar-se às eleições legislativas sozinho.

A Comissão Política Nacional do CDS-PP reúne-se na segunda-feira para discutir as «perspetivas económicas para 2015» e fazer o ponto da situação da estratégia de comunicação e do gabinete de estudos, que saíram do último Conselho Nacional.

A ordem de trabalhos da reunião inclui também a programação do último semestre de comemorações dos 40 anos do CDS e a análise da situação política.

A reunião acontece numa altura em que a celebração de uma coligação pré-eleitoral entre PSD e CDS-PP não está ainda definida, mas depois de Paulo Portas e o presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, terem estado juntos na abertura das «jornadas do investimento», uma iniciativa que uniu os dois partidos.