Os vice-presidentes do CDS-PP Nuno Magalhães e Mota Soares defenderam hoje que o partido deve ter a capacidade de "falar para o exterior" e afirmar as suas ideias próprias, com a nova liderança de Assunção Cristas.

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No mesmo sentido, o ‘vice’ da bancada parlamentar e antigo candidato à liderança do partido Telmo Correia sublinhou que "o normal do CDS é fazer o seu caminho individualizado e autónomo", do PSD e afirmou confiar na "liderança afirmativa" de Assunção Cristas para liderar o partido nessa autonomia.

"Espero que seja um Congresso de grande mobilização e a falar para o exterior", disse o ‘vice' Nuno Magalhães, que é líder parlamentar centrista, à entrada para o pavilhão multiusos de Gondomar, onde decorre a reunião magna do CDS-PP.

Para Nuno Magalhães, "o CDS deu uma prova de grande maturidade" ao unir-se em torno da candidatura de Assunção Cristas, que deverá ser a única candidata, embora exista a possibilidade formal de quem tenha apresentado uma moção de estratégia global apresentar-se, como candidato, até ao Congresso.

Questionado sobre o papel futuro de Paulo Portas, Magalhães respondeu que o partido vai poder contar com "o talento, com o brilhantismo, com a amizade e com o sentido de Estado" com líder cessante.

"Paulo Portas vai andar por aqui", declarou.

Luís Pedro Mota Soares, vice-presidente ex-ministro da Segurança Social, afirmou que "não é um desafio novo no CDS mudar de um grande presidente para outro grande presidente", sublinhando que a novidade neste Congresso é passar para uma mulher presidente.

Mota Soares convergiu também na análise que "o CDS tem de se impor por si, pelas suas ideias, pelas suas soluções".

"As pessoas estão fartas de partidos que lutam uns contra os outros, querem partidos que lutem por elas", disse.

Telmo Correia afirmou também esperar "uma liderança afirmativa que prepare o partido para disputar eleições de moto próprio".

"Só as circunstâncias excecionais do memorando, do resgate, da governação conjunta, criaram a exceção e na exceção fomos conjuntamente", afirmou.

 

João Almeida quer partido preparado para governar com o PSD 

O também vice-presidente do CDS João Almeida afirmou que a sucessão na liderança “não põe em causa” o futuro do partido o qual, disse, deve preparar-se para “estar disponível” para governar novamente com o PSD.

“O que hoje discutimos, a sucessão na liderança, não põe de maneira nenhuma em causa o futuro do partido, pelo contrário, permitirá abrir um novo ciclo, um ciclo em que o CDS possa crescer”, afirmou João Almeida, acrescentando que “o ciclo que hoje se começa a abrir no CDS será um ciclo de maior pragmatismo”.

O centrista, que irá apresentar uma moção com Adolfo Mesquita Nunes por uma “abertura e diversidade” no partido, defendeu ainda que o CDS-PP se tornou “mais resistente” a oscilações, sendo até “capaz de ser criativo, inventivo e mais moderno, como o PSD se calhar gostava de ser”.

Também sobre a relação do CDS com o PSD, João Almeida assinalou que o partido liderado por Pedro Passos Coelho “tem de ser um parceiro de governo confiável como foi nos últimos quatro anos e de ser naturalmente o parceiro que poderá, no futuro, estar com o CDS a governar Portugal”.

“Nós ganhamos eleições, não tivemos uma maioria suficiente para governar o país, mas fará sentido que num próximo ciclo político, PSD e CDS possam novamente governar. Cada um deve fazer o seu caminho mas é perfeitamente normal – e necessário para Portugal – que pensemos o país com uma alternativa em que os dois participem”, realçou.

E acrescentou: “É uma constatação neste momento, depois de um ciclo de governação [o CDS] tem de se preparar para estar disponível novamente para isso, quando for essa a oportunidade”.

Já o presidente da Mesa do Congresso, João Queiró, disse também à entrada que “o CDS é um partido que integra o espaço do centro direita e os seus aliados naturais estão aí”.

“Acho que o partido deve ser um partido centrado nas aspirações dos portugueses e se quer falar cada vez para mais gente deve manter essa ‘recentragem’ junto de todos os portugueses. E isso implica n ter posições radicais”, frisou.

Sobre o futuro do CDS, que neste fim de semana escolhe a sucessão de Paulo Portas, João Queiró assegurou que “não é um partido órfão”.

Admitiu contudo que “o CDS nunca teve uma vida fácil”.

O 26.º Congresso do CDS-PP começou hoje em Gondomar para eleger a direção que sucederá à de Paulo Portas, que lidera o partido desde 1998, tendo estado afastado apenas entre 2005 e 2007, durante a presidência de José Ribeiro e Castro.

Os congressistas, cerca de 1.500, discutem dez moções de estratégia global, mas apenas Assunção Cristas assumiu uma candidatura à liderança.