O líder do CDS-PP, Paulo Portas, alertou este domingo para a necessidade de reforçar os efectivos nas esquadras das áreas metropolitanas, considerando que é preciso admitir «o triplo» do número previsto pelo Governo, noticia a Lusa.

«É preciso admitir o triplo do que o Governo quer», afirmou Paulo Portas, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à esquadra da PSP, no Cacém (Lisboa).

Criminalidade: Portas quer medidas dissuasoras

Sublinhando a necessidade de fazer uma programação das admissões na PSP, GNR e PJ para os próximos quatro anos, o líder democrata-cristão defendeu que esse aumento do número de efectivos deve ser feito de acordo com o princípio de que as «admissões têm ser largamente superiores às aposentações».

«Precisamos de programar para os próximos quatro anos admissões na PSP, PJ e GNR muito superiores ao número de agentes e guardas que se reformam ou aposentam. A prioridade absoluta é dar efectivos às esquadras dos concelhos à volta das áreas metropolitanas de Lisboa, Setúbal e Porto», insistiu.

Após uma reunião de cerca de uma hora com os responsáveis pela esquadra do Cacém, Paulo Portas não deixou ainda de criticar a política de segurança desenvolvida pelo Governo nos últimos quatro anos

«Meios, efectivos e autoridade»

«Passámos dois anos com aquilo que eu chamo uma política menos menos, ou seja, não entrava ninguém nem na polícia, nem na guarda, e obviamente aposentavam-se e reformavam-se os mais velhos», recordou.

Depois, continuou, «passámos para uma política igual igual: entram uns tantos e saem outros tantos».

Por isso, frisou, é preciso agora passar para «uma política mais mais», dotando rapidamente a PSP, GNR e PJ de «meios, efectivos e autoridade».

Como exemplo da ausência de uma política de segurança em Portugal, o líder do CDS-PP relatou o que encontrou na esquadra do Cacém: 39 efectivos com a responsabilidade de assegurar a segurança de mais de 80 mil pessoas.

«Esta esquadra é o exemplo do esforço do efectivo policial para garantir a segurança, infelizmente um exemplo do que é a falta de uma política de segurança em Portugal», declarou, acusando o Governo de deixar «as populações vulnerabilizadas e desguarnecidas da protecção da sua segurança» com o cancelamento de admissões para as forças de segurança.

Coisas «incompreensíveis»

Por outro lado, continuou, há coisas «incompreensíveis» na realidade das forças de segurança, como a obrigação de «ir saber se os cidadãos têm bens penhoráveis, quando essa notificação deve ser feita pela repartição de Finanças».

«Esta esquadra tem de fazer 2 mil notificações para saber se tem bens penhoráveis. A função da polícia não é saber se tem bens penhoráveis», salientou, considerando que a função da polícia é fazer «policiamento dissuasor, preventivo e se necessário repressivo».

Ou seja, lamentou, a polícia está a ser desviada do seu objectivo que é «proteger os cidadãos, os comerciantes, os automobilistas, proteger a vida e o património dos cidadãos».

«Não desistiremos enquanto não conseguirmos melhores meios, melhores efectivos e mais autoridade para a polícia», prometeu.