O CDS-PP quantificou o impacto das propostas do cenário macroeconómico do PS em de cerca de 3.020 milhões de euros, considerando que a sua concretização levaria ao regresso da troika dentro de muito pouco tempo.

«Tudo isto totaliza um impacto total, seja de perda de receita, seja de aumento de despesa, de cerca de 3.020 milhões de euros. Segundo as nossas contas iniciais, isto representa cerca de 1,8% do PIB de impacto orçamental», afirmou a deputada do CDS-PP Cecília Meireles, numa conferência de imprensa realizada no Parlamento.

Sintetizando as contas dos democratas-cristãos, Cecília Meireles adiantou que a reposição dos salários da função pública significaria no próximo ano 300 milhões de euros, valor idêntico para a reposição do IVA da restauração para 13%.

A reposição do rendimento social de inserção representaria 130 milhões de euros, a reposição do complemento solidário para idosos equivaleria a uma despesa de 8 milhões de euros e a reposição do abono de família custaria 40 milhões de euros, acrescentou.

Para o complemento salarial anual seriam necessários mais 350 milhões de euros, enquanto a redução da sobretaxa do IRS representaria uma redução de receita de cerca de 380 milhões de euros.

As propostas relativas à TSU levariam a uma redução de receita de 750 milhões de euros já em 2016, enquanto para a caixa geral de aposentações haveria uma perda de receita de 165 milhões de euros.

Além disso, continuou a deputada do CDS-PP, existe ainda o problema de sustentabilidade da Segurança Social no valor de 600 milhões de euros que o PS não resolve.
 

«Na prática, se tudo isto se concretizasse, isto significava muito concretamente que o défice e a dívida iam disparar, Portugal deixava de sair do procedimento de défice excessivo com consequente perda de credibilidade nacional e internacional, deixávamos de crescer e criar emprego sustentadamente. O que isto realmente significa é que se se concretizasse dentro de muito pouco tempo teríamos novamente a troika em Portugal».


Falando especificamente sobre a redução da TSU, Cecília Meireles lembrou que o CDS-PP sempre foi a favor de um sistema de tetos contributivos voluntários para as novas gerações, defendendo que até determinado montante os trabalhadores deviam descontar para o sistema público e a partir desse montante pudessem escolher entre o sistema público, particular ou mutualista.

«O PS vem propor um sistema obrigatório, a partir de determinado montante não são pagas contribuições e as pensões sofrem o respetivo corte», referiu, considerando que tal proposta representa um «ataque à sustentabilidade da Segurança Social», afetando as pensões futuras e não explicando como paga as pensões atuais.

Relativamente às famílias há um aumento da carga fiscal, com a criação de um novo imposto sucessório e a abolição do coeficiente familiar.

A deputada do CDS-PP acusou ainda o PS de incoerência, classificando como «extraordinário» que há uma semana tivesse criticado a proposta do Governo para repor gradualmente o rendimento dos funcionários públicos, dizendo mesmo que era inconstitucional, e agora venha propor também uma reposição gradual, embora com um horizonte temporal diferente.