A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu quinta-feira à noite que o parlamento não tem mandato para legislar sobre a eutanásia, porque, à exceção do PAN, os partidos excluíram o tema dos seus programas eleitorais.

Do ponto de vista político, o parlamento é o espaço para o fazer [decidir] porque tem legitimidade, mas este parlamento não tem mandato", defendeu Assunção Cristas no encerramento de um debate promovido pelo CDS-PP sobre a eutanásia, que decorreu na Junta de Freguesia de Alvalade, em Lisboa.

A líder centrista encara, contudo, um referendo com reservas, argumentando que "a simplificação é redutora, empobrece" e "induz uma resposta", e prometeu trabalhar para fazer ouvir os argumentos contra a eutanásia, mesmo que isso não dê votos.

Nesta matéria, a parte dos votos é o que menos interessa", declarou, arrancando um aplauso da sala.

Assunção Cristas argumentou que a Assembleia da República não dispõe de mandato para legislar sobre a eutanásia porque "nenhum partido colocou preto no branco no programa eleitoral" esta matéria, com exceção do PAN (Pessoas-Animais-Natureza).

Há um compromisso com os eleitores que se faz nos programas eleitorais, a não ser no caso do PAN", vincou.

4.500 mortes em Portugal

Já a deputada do CDS-PP e médica especialista em cuidados paliativos, Isabel Galriça Neto, extrapolou o número de mortes por eutanásia na Holanda para calcular que em Portugal morreriam 4.500 pessoas anualmente.

Em Portugal aconteceriam 4.500 eutanásias por ano", declarou Isabel Galriça Neto, fazendo uma extrapolação do caso holandês e do número de habitantes da Holanda para o número de habitantes de Portugal.

Na Holanda, frisou, há "uma eutanásia a cada uma hora e 20 minutos, 18 eutanásias por dia", de pessoas "que não pediram para morrer", com demência e outros quadros clínicos de saúde mental ou sujeitas a "sofrimento intolerável", que pode ir da depressão a uma situação de encarceramento prisional.

Tais situações já levaram a demissões no comité de eutanásia na Holanda, sublinhou, "porque aquilo que está na lei é rapidamente ultrapassado".