A candidata à liderança dos centristas Assunção Cristas não excluiu, esta sexta-feira, que no atual quadro parlamentar seja possível "devolver a bola" a PSD e CDS para governar, apesar de considerar pouco provável com o atual líder do PS.

"No atual quadro parlamentar houve uma coligação que ganhou eleições, se porventura, dirá num cenário pouco provável, vier a acontecer alguma mudança do lado do PS, eu acho que é sempre possível devolver a bola à coligação que ganhou as eleições e verificar se há condições para a governação e, nesse caso, certamente que o CDS lá estará", afirmou Assunção Cristas.

Na sede nacional do CDS, em Lisboa, durante a apresentação da sua moção de estratégia global ao 26º Congresso, Assunção Cristas ressalvou, contudo, duvidar "que seja sequer possível ou sequer provável com o atual líder do PS".

"A minha convicção é que o CDS deverá ir sozinho a eleições, de maneira a poder crescer e contribuir mais ativamente para um Governo de centro-direita no nosso país", defendeu Assunção Cristas.

A ex-ministra da Agricultura não excluiu, por outro lado, considerar a realização de primárias abertas para a escolha dos candidatos à Assembleia da República, uma discussão lançada pela moção de João Almeida e Adolfo Mesquita Nunes, e divulgada esta sexta-feira.

"O partido tem feito trabalho relevante conseguindo ter um belíssimo grupo parlamentar, certamente que podemos melhorar os métodos de escolha e esse é um debate que caberá a seu tempo no Congresso e posteriormente também", respondeu, quando questionada pelos jornalistas sobre a realização de primárias.

 

Moção ao Congresso do CDS defende “centralidade à cultura”

A moção de Assunção Cristas ao 26º Congresso do CDS-PP defende que o partido deve "dar centralidade à cultura", argumentando que a "procura ativa de reflexão e pensamento" é "certamente promotora de maior mobilidade social".

Na moção de estratégia global "Ambição e Responsabilidade", a candidata à liderança do CDS propõe também que o partido se empenhe "em estudar a hipótese de uma administração mais partilhada entre municípios", bem como "apostar num estado social de parceria", em que se insere um eventual "alargamento faseado da ADSE" a trabalhadores do privado.

A centralidade à cultura foi um dos aspetos da moção destacados por Assunção Cristas na apresentação do documento na sede nacional do CDS, em Lisboa.

Para Assunção Cristas, "a experiência íntima da beleza, a nível individual e coletivo, só pode contribuir para um país melhor, mais sensível e com maior compreensão do mundo. O acesso à cultura e uma política de cultura abrangente e consistente são, por isso, aspetos centrais".

No próprio texto da moção, a candidata à liderança adianta que a "procura ativa de reflexão e pensamento, na sua heterogeneidade, é criadora de uma sociedade de pessoas mais conscientes, responsáveis, críticas e abertas à diferença e certamente promotora de maior mobilidade social".

Num outro passo da moção, Assunção Cristas defende um "municipalismo do século XXI", no âmbito do qual considera que "o CDS deve empenhar-se em estudar a hipótese de uma administração mais partilhada entre municípios".

"Em determinadas circunstâncias, pode fazer sentido, ajudando a prestar um melhor serviço aos munícipes, com flexibilidade e partilha de recursos tantas vezes escassos", lê-se na moção.

O documento defende um "estado social de parceria", um aspeto que foi também destacado por Assunção Cristas na apresentação do texto da moção, em que elegeu "o desemprego e a pobreza" como o maior problema do país.

Neste domínio do "estado social de parceria", Assunção Cristas considera que "a defesa de um sistema de saúde de qualidade para todos passa também por estudar o alargamento faseado da ADSE a qualquer trabalhador que pretenda descontar e beneficiar desse sistema".

O sistema de segurança social é outro dos aspetos abordados na moção: "Se todos concordamos na necessidade de assegurar um sistema previdencial, já saber o que podemos e devemos fazer para garantir que o jovem que começa hoje a descontar tem direito a uma pensão - qual e em que moldes -, ao mesmo tempo que o atual pensionista não perde os direitos, é um tema que urge colocar em cima da mesa", lê-se no documento.

"O CDS assume a disponibilidade para estudar e liderar este debate, na certeza de que reformas com esta sensibilidade requerem um consenso intergeracional e uma noção clara de equidade", afirma o moção.

O prazo para a entrega de moções ao 26.º Congresso do CDS-PP, que se realiza a 12 e 13 de março em Gondomar, termina hoje