A presidente do CDS-PP defendeu esta quinta-feira que a resposta perante as ameaças ao projeto europeu não pode ser "mais Europa", mas "melhor Europa", menos centralizada, com "menos periferias" e mais respeito pela diversidade e identidades.

Não precisamos agora de mais Europa, precisamos de melhor Europa e melhor porque mais forte, nalgumas matérias, e mais simples, noutras. Melhor porque focada nos grandes problemas - da segurança à energia, às relações externas e ao ambiente -, deixando os Estados resolverem o que sabem e o que conhecem melhor", defendeu Assunção Cristas.

Discursando numa conferência promovida pelo Diário de Notícias sobre "a Europa que queremos", em Lisboa, a líder centrista argumentou que "a ideia de que mais Europa é o único caminho, na verdade, dilui as diferenças de alternativas, as diferenças entre uma visão mais à direita ou mais à esquerda".

O debate acaba por ficar apenas entre europeístas e anti-europeístas, favorecendo, assim, os partidos populistas e anti-sistema que nos acusam de sermos todos iguais", declarou.

Para Assunção Cristas, "a solução de mais Europa, na verdade, acabou por criar uma Europa mais distante, uma União com mais poderes e com áreas de intervenção mais amplas, nalguns casos, do que uma federação" e um "centralismo burocrático", que se tornou num "corpo político tão independente que não se sente ligado a ninguém".

"Esse é um grande problema", apontou, recusando o excesso de regulação e argumentando que "é saudável" manterem-se "as diferenças e as identidades nacionais, que, aliás, são uma preocupação que os populismos exploram de forma perigosa".

A presidente do CDS-PP defendeu que, "mais descentralizada, a Europa será certamente uma Europa com menos periferias".

Queremos uma Europa forte e focada nas grandes questões e suficientemente flexível para as pequenas. Só assim pode ser mais democrática, ter mais participação e ser mais próxima. Só assim podemos escolher, caso a caso, a Europa que queremos", preconizou.

"Assim, a Europa poderá adaptar-se ao mundo em que vivemos e às mudanças, que são cada vez mais rápidas, em vez de estar sempre a criar centros de decisões informais porque é demasiado difícil adaptar os tratados", propôs.

Assunção Cristas defendeu que o "inverno demográfico" é um dos grandes problemas europeus, não tanto pela ameaça que coloca aos sistemas de segurança social, mas pela falta de energia, criatividade e otimismo que acarreta e consequente aversão ao risco.

As migrações são outro problema apontado pela presidente do CDS-PP, que sublinhou uma postura de abertura e considerou que a União Europeia não soube lidar com esses desafios.

Fronteiras a leste, vizinhança forte da Rússia, fronteiras mediterrânicas, a instabilidade nessa área, o reacender dos populismos e um mundo cujo centro de gravidade e influência se move para o Pacífico" foram outros desafios identificados por Assunção Cristas, que recusou excesso de dramatismos nas crises europeias.

A presidente centrista apontou que "a união monetária sobreviveu à crise" e o euro não implodiu.

"O ‘Brexit' também se dizia que ia abrir a porta a que muitos outros quisessem sair, ‘so far' [até agora], não aconteceu, veremos", disse.

Assunção Cristas defendeu que "uma causa central destes anos e da próxima década é certamente o reencontro da Europa com o seu povo, com os seus povos", para o qual deve seguir a via menos centralizadora que preconizou.

Sublinhando uma atitude de abertura, a líder centrista defendeu que a diversidade, incluindo a religiosa, é condição de sucesso para o projeto europeu, porque é inerente à liberdade.

"A minha paisagem europeia tem os sinos das igrejas, é certo, mas também tem lugar para os minaretes das mesquitas e para as sinagogas. A minha Europa é um espaço de liberdade em permanente construção", declarou.