A presidente do CDS-PP criticou esta quinta-feira o "leilão" para o Orçamento do Estado entre a maioria de esquerda, em que até o ministro das Finanças "acaba por se desdizer" quando faz contas e "o lençol não estica".

O que não é positivo é esta espécie de leilão em que um pede uma coisa, outro pede outra, outro pede outra, em que o próprio ministro das Finanças num dia diz uma coisa e no outro dia acaba por se desdizer, aparentemente toma a dianteira e depois vai fazer as contas e o lençol não estica", defendeu Assunção Cristas, em declarações aos jornalistas.

A líder centrista usou também a afirmação do economista e deputado independente eleito pelo PS Paulo Trigo Pereira, segundo o qual não é possível fazer tudo ao mesmo tempo: "Aquilo que hoje aparentemente vem explicado é que não há dinheiro para fazer todas estas propostas", disse Cristas.

Esta quinta-feira foi divulgado um documento que propõe uma estratégia orçamental alternativa à que é seguida pelo Governo, que assenta em maior despesa pública e menor ambição na redução do défice para, mesmo assim, conseguir mais crescimento económico e menor dívida.

Um dos economistas responsável pelo estudo é o deputado independente eleito pelo PS Paulo Trigo Pereira, que afirmou, ao Público e à Renascença, que atingir todas as metas - em termos de carreiras, IRS e pensões - "é alquimia".

Assunção Cristas, que falava aos jornalistas no final de uma ação de campanha a Lisboa, como cabeça de lista da coligação "Pela Nossa Lisboa" (CDS-PP/MPT/PPM), reiterou que "a austeridade não acabou e, muitas vezes, ela aparece sob a forma de cortes cegos em áreas fundamentais, da educação à saúde".

"A minha filha mais velha anda numa escola que tem risco de fechar na segunda-feira por falta de assistentes operacionais", ilustrou.

Assunção Cristas vincou que "o dinheiro está a faltar em muito lado", sendo atualmente visível essa situação na saúde, com dívidas a fornecedores que afetam diretamente os cuidados prestados aos doentes.