O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que não há remodelações que possam disfarçar a falta de legitimidade do atual Governo, voltando a defender a sua demissão e a realização de eleições.

«Não há remodelações que possam disfarçar a falta de legitimidade de um Governo e de uma maioria que já são passados», afirmou Jerónimo de Sousa, defendendo que, «independentemente do que o Presidente da República [Cavaco Silva] vá dizer logo, não há outra saída [para o país] que não a demissão Governo, a dissolução da Assembleia [da República] e a marcação de eleições».

Esse é, para o secretário-geral do PCP, «o único rumo» possível para o país «em crise económica, política e institucional», com «um Governo em fuga, ministros em deserção, a pedir a demissão e a reconhecer o falhanço desta política».

E é, reforçou Jerónimo de Sousa, «uma decisão tão mais urgente quanto se encontra irremediavelmente comprometida a operação patrocinada pelo Presidente da República para salvar um Governo, uma maioria ilegítima, que age à margem da lei e contra a Constituição».

Jerónimo de Sousa acusou Cavaco Silva de ter «tentado amarrar o PS» a uma negociação que visava «dar mais um ano de vida ao Governo, continuar o pacto de agressão até ao fim e aceitar as decisões da União Europeia», mas também não poupou críticas aos socialistas.

¿O PS pode vir com desculpas esfarrapadas, mas a verdade é que aceitou o quadro e os parâmetros que o presidente lhe lançou¿. De acordo com o secretário-geral do PCP, os socialistas não podem vir agora ¿dizer que foram enganados ou que foi armadilhado¿, afirmou.

Convicto de que não poderá haver ¿salvação nacional assente neste Governo¿, o líder da PCP sublinhou a importância das próximas eleições autárquicas e o reforço do voto na CDU, ¿para condicionar a política de direita¿ e inverter ¿este caminho para a desgraça¿.

Jerónimo de Sousa falava em Peniche, onde hoje participou num almoço com quase 300 militantes e simpatizantes do PCP.