O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje em Macau que a sua visita à Região Administrativa Especial chinesa serve para «reafirmar de forma muito clara e inequívoca» que a relação com a cidade constitui uma «orientação estratégica da política externa portuguesa».

«A minha presença em Macau na sequência da visita de Estado à China é para reafirmar de forma muito clara e inequívoca que as relações especiais com Macau constituem uma orientação estratégica da política externa portuguesa», disse o Chefe de Estado após o encontro com o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On.

Cavaco Silva sublinhando que estando em visita oficial à China «não podia deixar de vir a Macau» e que além de celebrar os 35 anos do restabelecimento das relações diplomáticas com Pequim, pretende também assinalar os 15 anos de Macau como Região Administrativa Especial da China.

«O sucesso económico e social de Macau, a estabilidade política verificada nestes 15 anos é a prova de que a escolha feita em 1987 do modelo para a Região foi a escolha certa. Portugal orgulha-se de ter uma relação especial com Macau e orgulha-se do desenvolvimento económico, social e da estabilidade política que tem sido garantida na sequência da Lei Básica que resultou da negociação da Declaração Conjunt, afirmou.

No encontro com Chui Sai On, o Presidente da república passou em revista o passado, mas quis perspetivar o futuro nos vários domínios, salientando agradecer a Chui Sai On o «empenho que tem colocado» na promoção da língua portuguesa nesta parte do mundo.

Por sua vez, Chui Sai On explicou que a comunidade portuguesa residente na cidade está «perfeitamente integrada» e faz parte da «grande família» de Macau.

«A comunidade portuguesa já se conseguiu integrar perfeitamente na sociedade de Macau e nós damos muita importância aos contactos e ligações culturais. Também respeitamos muito as características tradicionais e culturais de diferentes comunidades e acho que a comunidade portuguesa é também um elemento da nossa grande família e, por isso, teremos que, de mãos dadas, construir um futuro cada vez mais promissor em prol do bem-estar da população», afirmou.

Chui Sai On prometeu também o empenho no reforço do papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa através do Fórum Macau e sublinhou que a divulgação da língua portuguesa é uma responsabilidade local perante a China continental, mas também uma necessidade da Região em ter quadros bilingues nas mais variadas áreas.

Ainda na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro bilateral entre Chui Sai On e Cavaco Silva, o chefe de Estado português disse que «Macau é um dos pontos mais fortes do relacionamento entre Portugal e a China» porque foi pela «forma exemplar» que se resolveu a questão de Macau que se «construiu um clima de confiança que existe neste momento e que tem vindo a ser reforçado entre os dois países».

No discurso do Chefe de Estado, a questão da língua voltou a ter um papel predominante, tendo Cavaco Silva dito que é em Macau que se reconhece de «forma mais forte (...) o valor económico, para além do cultural, da língua portuguesa, uma língua de negócios, uma língua de investimentos que (nós) queremos cada vez mais projetar».

Com a chegada de Cavaco Silva a Macau, as duas partes assinaram uma adenda ao acordo que passa a prever reuniões anuais da Comissão Mista Portugal/Macau no sentido de estreitar relações bilaterais cada vez mais intensas.

À chegada Cavaco Silva foi recebido no aeroporto por duas crianças de uma escola luso-chinesa que entregaram ao casal presidencial 15 rosas brancas.

Num documento revelado pelo Gabinete do Chefe do Executivo «o número de flores é alusivo aos 15 anos da Região Administrativa Especial de Macau» e porque as rosas brancas «serão as preferidas» de Maria Cavaco Silva.