O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, lamentou a morte do escritor e tradutor Vasco Graça Moura, sublinhando a «marca indelével» que deixa na literatura, no debate democrático de ideias e na defesa da cultura.

Primeiro-ministro lamenta morte de Vasco Graça Moura

«Neste momento de luto, rendo a minha homenagem ao homem de letras e ao homem de ação, que deixa uma marca indelével tanto na literatura, como no debate democrático de ideias e na defesa da nossa cultura», lê-se numa mensagem divulgada no site da Presidência da República.

Na missiva, o chefe de Estado sublinha que foi com «profundo pesar» que tomou conhecimento da morte de Vasco Graça Moura, «um dos maiores escritores portugueses das últimas décadas e um dos intelectuais que mais contribuíram para a afirmação e a projeção internacional da nossa cultura».

«Poeta e romancista de prestígio abundantemente reconhecido, quer entre nós, quer no espaço europeu, Graça Moura foi também o tradutor de alguns dos grandes autores do Ocidente para a língua portuguesa, a qual enriqueceu como poucos», recorda Cavaco Silva.

Além disso, acrescenta o Presidente da República, o seu dinamismo e a sua criatividade, enquanto responsável por várias instituições ou como deputado ao Parlamento Europeu, «foram decisivos para o reconhecimento da cultura portuguesa além-fronteiras».

Também a presidente do Instituto Camões lamentou a morte de Vasco Graça Moura e realçou a sua importância na cultura portuguesa, da edição de clássicos, à tradução de grandes poetas e à dimensão de escritor, poeta e romancista.

«Uma grande perda, um grande homem e ficamos todos de luto», disse à agência Lusa Ana Paula Laborinho, acrescentando que «era, de facto, uma figura fundamental da cultura portuguesa, mais recentemente à frente do Centro Cultural de Belém, também aí procurando imprimir essa orientação» no sentido da sua valorização.

Ana Paula Laborinho fez questão de salientar a dimensão do autor como escritor, poeta, romancista, mas, «em primeiro lugar, a sua relação com a poesia».

Vasco Graça Moura «teve uma enorme importância em diversas dimensões e, em primeiro lugar, não posso esquecer o que fez à frente da Imprensa Nacional Casa da Moeda, editando muitos dos clássicos, criando e recriando uma tradição de conhecimento que estava perdida», referiu a presidente do Instituto Camões da Cooperação e da Língua.

Realçou também o papel de Vasco Graça Moura como tradutor, «porque só um grande poeta pode traduzir grandes poetas, e ele traduziu grandes clássicos, e a extraordinária qualidade dessas traduções só pôde existir porque ele também era um grande poeta».

O escritor e tradutor Vasco Graça Moura, de 72 anos, morreu ao fim da manhã de hoje em Lisboa, disse à agência Lusa fonte do Centro Cultural de Belém (CCB).