O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje que Portugal aprendeu «a lição dos últimos anos», manifestou-se convicto na continuação da «consolidação das suas contas públicas» e numa «trajetória de crescimento económico» e «criação de emprego».

Perante o Presidente da República Federal da Alemanha, Joachim Gauck, Cavaco Silva afirmou que é sua «convicção que Portugal continuará num rumo de consolidação das suas contas públicas, um rumo de garantia de sustentabilidade da sua dívida pública e na realização das reformas que são indispensáveis para a competitividade da economia portuguesa».

«Aprendemos a lição dos últimos anos. O povo português teve um comportamento extremamente responsável e queremos agora entrar numa trajetória de crescimento económico e de criação de emprego, em particular pensando nos nossos jovens que tem tido alguma dificuldade no acesso ao mercado de trabalho», afirmou o chefe de Estado português.

Cavaco Silva falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente alemão, Joachim Gauck, que se encontra em visita oficial a Portugal.

Os dois chefes de Estado encontraram-se no Palácio de Belém, a residência oficial da Presidência portuguesa, em Lisboa.

Os presidentes foram questionados por um jornalista alemão acerca dos chumbos do Tribunal Constitucional português a medidas do Governo e Cavaco Silva disse segue a regra de não comentar as decisões daquele órgão de soberania.

«Eu sigo uma regra que há dias um ministro alemão afirmou publicamente: as decisões dos tribunais constitucionais não se comentam, respeitam-se», declarou.

Cavaco Silva quis também «testemunhar» que «nunca faltou a solidariedade da Alemanha» para com Portugal no, «período difícil» que Portugal atravessou, exemplificando com a «extensão maturidade da dívida», o «quadro financeiro plurianual 2014 - 2020», entre outras matérias.

Confrontado com a utilidade de uma flexibilização do pacto de estabilidade para um país como Portugal, Cavaco Silva respondeu que Portugal assinou o Tratado de Lisboa e o pacto orçamental que está em vigor e que é apoiado por partidos que representam «mais de 80% dos deputados no parlamento» português, numa referência ao maior partido da oposição, PS, e aos partidos da maioria governamental, PSD e CDS-PP.

O presidente português desejou que a Alemanha «tenha elevada taxa de crescimento económico» e que «manifeste compreensão em relação aos esforços que Portugal fez nos anos mais recentes».

«Queremos que a Alemanha continue a ser um motor do aprofundamento da União Europeia», declarou.

«Bom exemplo de reformas bem-sucedidas»

Logo em seguida foi a vez do Presidente da República Federal da Alemanha apontar Portugal como «um bom exemplo de reformas bem-sucedidas», num quadro de «solidariedade europeia».

«Aqui em Portugal temos um bom exemplo de reformas bem-sucedidas e da solidariedade europeia prestada. Aquilo que foi conseguido na Europa, não impediu Portugal de enveredar pelo rumo das reformas, não, ajudou Portugal. Isso de facto é impressionante», afirmou Joachim Gauck.

Joachim Gauck sublinhou que «a redução do défice orçamental aconteceu com as regras em vigor».

O presidente respondia a uma pergunta sobre uma eventual flexibilização do pacto de estabilidade, tendo-se escusado a comentar diretamente, justificando que isso o levaria para o «campo político».

O chefe de Estado alemão declarou-se ainda muito satisfeito, que «Portugal, pelo seu pé e com apoio europeu, tenha saído do programa e regressado aos mercados», apresar dos protestos, «que são compreensíveis».

«A relação entre a Alemanha e os países mais pequenos da Europa é marcada pela solidariedade», disse, apontando para a necessidade de os políticos explicarem as medidas que estão a ser tomadas, e referindo-se, também, ao caso da Grécia.

Gauck afirmou que «Portugal é um parceiro forte e fiável na União Europeia».