A visita de Estado do Presidente da República à Roménia, que se iniciou esta quarta-feira, ficou marcada pelo cancelamento do encontro previsto com o primeiro-ministro daquele país, que está indiciado por corrupção e branqueamento de capitais, estando ausente do país. Cavaco Silva disse não ter ficado "perturbado" com a situação. 

Em resposta aos jornalistas, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente da Roménia, Cavaco Silva começou por dizer que "é um princípio" das relações entre os países um chefe de Estado visitante não comentar os problemas políticos internos do país visitado.

"O que posso constatar é que as instituições democráticas da Roménia estão a funcionar, a funcionar plenamente. E nenhuma perturbação atinge esta minha visita de Estado"


Cavaco Silva acabou, também, por frisar que o problema da corrupção é uma "preocupação europeia". E que há indicações da UE para que "em todos os Estados, serem feitos esforços" para o combater.  E, especificou, "envolvendo em particular agentes políticos".

Ora, se a relação de amizade e de cooperação sobretudo na área da defesa é um ponto em comum entre Portugal e a Roménia, outro é a coincidência dos casos de corrupção que envolvem (ex-)representantes dos dos países. Lá, o primeiro-ministro está indiciado por corrupção. Em Portugal o ex-chefe de Governo José Sócrates também, estando mesmo preso preventivamente.

"Segundo sei, essas indicações emanadas da UE [de combate à corrupção] são para todos os 28 países e não para nenhum país em particular", fez questão de assinalar, ainda, o Presidente português. 

Atestou, igualmente, que ele a sua comitiva tiveram "um diálogo extremamente frutuoso" com o homólogo romeno, a quem endereçou um convite para visitar Portugal. Todos os pontos da agenda da viagem se mantêm, incluindo o encontro com o governo, embora sem o seu principal representante.


900 empresas têm negócios com a Roménia

Acompanhado por empresários vindos de Portugal, Cavaco Silva constatou que, atualmente, cerca de 900 empresas portuguesas desenvolvem negócios com empresários romenos. Mais: 100 empresas portuguesas estão já instaladas naquele país, onde desenvolvem projetos de investimento.

O chefe de Estado espera que as relações comerciais e de investimento saiam ainda mais fotalecida desta visita.

A cultura foi dos primeiros temas a entrar no seu discurso, ao dizer que um "elevadíssimo número de livros portugueses" está traduzido para romeno e vice-versa.  

Por outro lado, a Defesa, uma "área sensível mas importante na cooperação", quer no quadro bilateral, quer no quadro da NATO. "*Portugal está a dar contribuição para medidas de tranquilização no flanco leste da Europa e quatro F16 portugueses estão instalados na Roménia. O problema entre Rússia e Ucrânia é dos 28 membros da UE, recordou.

Especial relevo dado também ao problema da imigração, como já tinha feito ontem, na Bulgária. "Não podemos continuar a permitir que milhares e milhares de seres humanos percam as suas vidas no Mediterrâneo em resultado da sua ambição para alcançar o espaço europeu". 

Cavaco Silva cumpre uma semana de visitas de Estado que começaram na Bulgária, onde quis convencer os empresários de que "os resultados falam por si" em Portugal e é um bom país para fazer negócios. Depois de dois dias de périplo, esta quarta e quinta-feiras será, então, a vez da Roménia.