O primeiro-ministro manifestou esta terça-feira confiança em que «a valia estratégica» da relação entre Portugal e Angola possa «afastar qualquer sombra ou indecisão» e disse subscrever o teor da carta enviada pelo Presidente da República ao seu homólogo angolano.

«Temos uma relação muito antiga com Angola, eu espero com toda a minha sinceridade que essa relação se possa aprofundar ainda mais, Angola e Portugal são não apenas países irmãos como existe uma multiplicidade de interesses que envolvem a sociedade portuguesa, a sociedade angolana, quer em Angola, quer em Portugal, muitos portugueses vivem, trabalham e investem em Angola, muitos angolanos vivem, trabalham e investem em Portugal», assinalou Pedro Passos Coelho.

O chefe do Governo falava aos jornalistas na embaixada portuguesa em Paris sobre o estado das relações entre Portugal e Angola depois do anúncio feito há cerca de um mês pelo Presidente de Angola do fim da parceria entre os dois países.

Na opinião de Passos, «os governos têm de saber estar ao nível dessas expectativas legítimas dos seus cidadãos e têm estado».

«Tem havido uma boa relação entre os dois governos e espero que esta situação possa, do ponto de vista protocolar, dar-nos a oportunidade de afastar qualquer sombra ou indecisão quanto à valia estratégica que existe na relação entre os dois países», acrescentou.

Questionado sobre o teor da carta dirigida por Cavaco Silva ao presidente José Eduardo dos Santos pelo Dia Nacional de Angola, Pedro Passos Coelho respondeu apenas: «Foi pública, conheço e subscrevo».

O primeiro-ministro não respondeu contudo se já estabeleceu algum tipo de contacto com José Eduardo dos Santos após as suas declarações no parlamento angolano.

Na segunda-feira, o Presidente da República, Cavaco Silva, divulgou na página da Internet da Presidência uma nota, que enviou ao seu homólogo por mensagem telegráfica, de felicitações pelo Dia Nacional de Angola, sublinhando as relações «verdadeiramente especiais» daquele país com Portugal e a forma como ao longo da História «algumas dificuldades» têm sido ultrapassadas.

«Fundadas em sólidos laços de amizade e cooperação, as relações entre os nossos dois povos e países são verdadeiramente especiais. Temos sabido construir uma relação reciprocamente benéfica e profícua, estruturada tanto ao nível dos nossos cidadãos e empresas, como ao nível político e diplomático», lê-se numa mensagem enviada pelo chefe de Estado.

Sem fazer qualquer referência ao anúncio feito há cerca de um mês pelo Presidente de Angola do fim da parceria estratégica com Portugal, Cavaco Silva lembra na missiva que ao longo da História os dois países têm sabido, «com confiança e respeito mútuos, ultrapassar algumas dificuldades que têm surgido e desenvolver relações estreitas e intensas».

«Constante tem sido a nossa vontade em defender ativamente a relação bilateral, na firme convicção de que este é o caminho que melhor corresponde ao interesse e ao sentimento dos nossos povos», acrescenta ainda o chefe de Estado português, como recorda a Lusa.