A primeira-dama portuguesa, Maria Cavaco Silva, lembrou hoje que a emigração de portugueses sempre aconteceu, «mesmo sem crise», sustentando que o mundo atual «encolheu» e que existem oportunidades em todo o lado.

O tema da emigração surgiu durante uma conversa com os jornalistas a propósito da língua, quando Maria Cavaco Silva disse estar convencida de que os jovens portugueses iriam dar a atenção necessária à aprendizagem do chinês e lembrou que o seu neto mais novo estava triste porque uma colega tinha ido viver para Xangai.

Instada a comentar se os pais da criança tinham sido «forçados» a deixar o país, a primeira-dama recordou que a emigração foi sempre uma temática presente nas famílias portuguesas e que a atual facilidade de comunicação permite encontrar «oportunidades» nos mais diversos locais do planeta.

«Nós saímos sempre mesmo sem crise. E vejo sempre a abertura ao mundo como um mundo de oportunidades. Depois cada um sabe das suas razões. Se fosse jovem agora também teria um mundo muito mais aberto do que tinha no meu tempo», explicou Maria Cavaco Silva, após uma aula a estudantes da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim sobre a poesia de Sophia de Mello Breyner Andersen.

Durante a aula de pouco mais de meia hora, Maria Cavaco Silva mostrou-se «impressionada» com o «excelente domínio» da língua portuguesa pelos estudantes e foi partilhando leituras de Sophia de Mello Breyner e explicando significados de palavras aos alunos, atentos e conhecedores da poesia portuguesa.

No final, instada pelos jornalistas a comentar sobre se Portugal deveria fazer mais pela divulgação da língua e da cultura portuguesas, a primeira-dama recusou comparações e sublinhou que o importante é trabalhar.

«Estamos sempre obrigados a fazer mais do que aquilo que fazemos, mas em vez de nos martirizarmos com o que ter de fazer mais, vamo-nos consolando com o muito que já se faz comparando com o que se fazia no passado», disse.

Já sobre a aprendizagem de chinês pelos alunos portugueses, Maria Cavaco Silva mostrou-se confiante de que vai aumentar e até confessou à primeira-dama chinesa estar convencida que o neto mais novo o iria fazer.

No final da aula e lançada a versão bilingue da coletânea de poemas «Viver em Pleno Vento», de Sophia de Mello Breyner, Maria Cavaco Silva percorreu a exposição «Encontro das Línguas - Tradutores e Traduções de Escritores Portugueses para Chinês», uma iniciativa que a presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, considerou uma homenagem aos tradutores que promove um maior conhecimento da cultura chinesa em Portugal e da cultura portuguesa na China.