O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje, em Pequim, que a Região Administrativa Especial de Macau «é um dos maiores símbolos da amizade» entre Portugal e a China.

«Macau é um dos maiores símbolos da amizade entre Portugal e a China. Tive a honra de, em 1987, aqui em Pequim, na presença do grande líder Deng Xiaoping, assinar a Declaração Conjunta sobre a questão de Macau. Foi uma negociação exemplar entre os nossos países, baseada na confiança e no respeito mútuo», acentuou.

Ao intervir numa apresentação de Portugal aos alunos de português da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, o Chefe de Estado salientou que depois da questão de Macau, Portugal e a China «procuram explorar as potencialidades da parceria estratégica global que foi estabelecida pelos dois governos em 2005».

Salientando que as relações entre os dois povos começaram há cinco séculos e que o fascínio pela China «foi imediato» junto dos portugueses, Cavaco Silva recordou que os relatos que chegavam a Portugal sobre a China eram de um povo «sofisticado», o que despertou curiosidade e admiração.

Na sua intervenção, o Presidente da República abordou muitos aspetos positivos da economia e indústria portuguesas, inovações como o cartão multibanco ou a «via verde», alertando para a importância estratégica do país, que será a «primeira porta» na ligação entre a Ásia e a Europa através do canal do Panamá.

Recordou também que Portugal é membro fundador do euro e deixou um recado: «Se alguém vos disser que, um dia, o euro pode desaparecer, diga que a opinião do Presidente de Portugal, que conhece bem o assunto, é que eles são muito irrealistas».

«O euro, tal como o dólar e a moeda chinesa, vão cada vez mais afirmar-se como moedas internacionais», sustentou.

No final da exposição aos alunos, Cavaco Silva respondeu a perguntas de estudantes e professores de Português, tendo como primeiro desafio explicar a razão da importância do ensino da língua de Camões na China.

«O ensino do Português na China é uma vantagem dos dois países», começou por dizer Cavaco Silva.

O Chefe de Estado sublinhou mesmo que a China tem «interesse em ter cidadãos que falem a língua de oito países no mundo, alguns em franca e grande expansão económica, como é o caso do Brasil, de Angola ou de Moçambique».

Depois, defendeu, «existe o chamado Fórum Macau» que inclui a China e todos os países de expressão portuguesa, com exceção de São Tomé e Príncipe, que tem ligações diplomáticas com Taiwan.

Já do ponto de vista de Portugal, Cavaco Silva garantiu ser um contributo para que «cidadãos do mundo, neste caso chineses, conheçam melhor Portugal, as suas potencialidades nos mais variados domínios, que conheçam a riqueza da (nossa) cultura, a riqueza do (nosso) património histórico e cultural» pelo que se deseja que «muitos chineses possam visitar Portugal».

E é também por isso, disse, que nos contactos com as autoridades chinesas se insistiu nos voos diretos, fator que contribuiria para aumentar o fluxo de turistas entre os dois países.