O Presidente da República insistiu esta quarta-feira que a Grécia não pode «fazer o que quer» em termos de política monetária e aconselhou os críticos das últimas declarações que fez sobre os gregos a lerem o Tratado de Lisboa. 

«Consta do artigo 121 do Tratado de Lisboa que diz que a política económica de cada estado membro é matéria de interesse comum de todos. Ninguém pode fazer aquilo que quer, sem consultar os outros, e essa consulta, nos termos do artigo 121, que eu aconselho a ler, é feita no conselho e é por isso que, repito, todos os governos independentemente da sua cor partidária se opuseram as pretensões da Grécia na última reunião do Eurogrupo», disse. 


Cavaco Silva reafirmou também que Portugal é um dos países que mais contribui para as contas gregas e aconselhou novamente a leitura de documentos. 

«Eu aconselhava a que se consultassem os documentos oficiais donde constam as transferências feitas para a Grécia, em resultado das obrigações gregas que constam das carteiras dos bancos centrais dos países da zona euro. Essas transferências são aquilo a que se chamam doações, são aquilo que sai diretamente do bolso dos contribuintes. Quem fizer a consulta desses documentos oficiais, que têm previsões para o ano 2012 até 2020, constatará que Portugal é um dos países que fez maiores doações e que irá fazer maiores doações à Grécia, talvez até constate, que em termos relativos, Portugal é o país que faz mais doações no período 2012 - 2020 para a Grécia», reafirmou. 


O Presidente da República lembrou mais uma vez que Portugal não está na mesma situação que a Grécia. 

«Portugal nunca recebeu nenhuma doação de nenhum país, recebe empréstimos, paga os juros e irá fazer reembolsos».


«Mas porque é que todos os Governos, 18, não têm aceite as propostas da Grécia? Porque estão convencidos que a aplicação dessas propostas afetaria negativamente o bem-estar dos seus cidadãos», evidenciou.

À margem da inauguração do novo Radar Meteorológico do Norte, em Arouca, distrito de Aveiro, Cavaco Silva foi questionado sobre a situação da Grécia, afirmando que como previa o novo governo «tem vindo a ajustar as posições», o que «é positivo para que a Grécia possa continuar na Zona Euro», mas recusou comentar as propostas em concreto.

«Não quero fazer julgamentos, em matéria de política externa tem de existir sintonia em público entre aquilo que diz o governo e aquilo que diz o Presidente da República, porque o pior que poe acontecer na defesa dos interesses nacionais é alguma cacofonia entre as instituições, por isso em público não faço julgamentos sobre aquilo que está em discussão», afirmou. 


O Presidente disse ainda que espera que a apresentação de propostas escritas por parte da Grécia aconteça até ao fim de semana. 

 

«Tenho esperança que isso vá acontecer [apresentar propostas escritas] até ao fim de semana».