Cavaco Silva considera, "a título pessoal", que a Grécia cometeu "erros bastante fortes" nas negociações para o acordo que não há meio de ser alcançado. O dia "D" é esta quinta-feira, com a reunião do Eurogrupo. Se o pior cenário se verificar - a saída do euro -, Portugal "aguenta" o embate, garante o Presidente da República,   em linha com o discurso do primeiro-ministro

"Portugal tem reserva de recursos financeiros que permite aguentar o país durante vários, vários meses"

Que consequências, ao certo, poderá Portugal viver no pior cenário grego? "O povo português, a meu ver, compreende bem a diferença entre a situação de Portugal e a situação da Grécia. E reconhece que os dois países seguiram caminhos diferentes na implementação do programa de ajustamento", afiançou o Presidente, que falava na Roménia aos jornalistas que o acompanharam na visita de Estado que faz ao país, e que termina hoje.

Neste impasse helénico, a nação portuguesa alinha com a maioria dos países europeus. Quer que haja um acordo, mas há sempre um 'mas'.
"Portugal diz o mesmo que os outros dizem: a Grécia não pode deixar de respeitar as regras e os procedimentos que estão acordados entre os países. Não podem ser abertas exceções, porque isso punha em causa o funcionamento da união monetária"

 

O Partido Socialista já veio criticar as declarações de Cavaco Silva fala, dizendo que essas regras deram um "péssimo resultado" em Atenas. 


"Insultos são erros fortes"


Antes, o Presidente tinha criticado o comportamento das autoridades gregas durante as negociações que duram há praticamente cinco meses. 

"Os três representantes da troika reuniram-se não há muito tempo, ao mais alto nível, para apresentar uma proposta às autoridades gregas. Receberam, depois, alguns insultos... Há regras de diplomacia"

"Penso, a título pessoal, que foram cometidos erros de natureza diplomática bastante fortes por parte da autoridades gregas. Há um modo de negociar, há uma linguagem própria de negociação"

Cavaco Silva entende que essas regras diplomátcas não foram tidas em devida conta. Mas assinalou: "Não penso que tenha sido por intenção. Foi por falta de experiência, com certeza".

Mais uma vez defendeu que "a Grécia não pode ser uma exceção", como já tinha dito na Bulgária. E frisou que a Europa "não pode ceder a chantagens". Repetiu-o duas vezes aos jornalistas. 

"O Governo grego, como aliás aqui foi reconhecido, foi aprendendo que a realidade é diferente dos sonhos e das promessas que foram sendo feitas na campanha eleitoral.. E foi-se adaparando. O Eurogrupo entendeu que não se adaptou o suficiente", vincou, renovando os apelos para que haja um acordo de última hora.

"Volto a dizer, espero que na 25º hora se alcance um entendimento. Isso seria bom para todos os países da UE, não só Portugal." 

A poucas horas do Eurogrupo,  não há razões para otimismo. E quando assim é, notou o Presidente português, "entramos numa área de resultados imprevisíveis". Aqui, o seu tom de voz foi mais forte, recordando depois que se o programa de ajustamento grego termina a 30 de junho, sem acordo "levanta-se todo um problema de liquidez a um país sem rating de investimento".

Cavaco Silva disse que as instituições europeias estão melhor para enfrentar um "acidente" com algum país do euro, mas não tem dúvidas que "alguns efeitos ocorrerão e não serão efeitos positivos", embora possam ser "contidos".

A chanceler alemã Angela Merkel falou sobre a situação grega horas antes do Eurogrupo. O aviso é claro: "Querer é poder". E é um último apelo aos gregos. 

Ainda durante a visita de Estado à Roménia, Cacavo Silva teceu elogios ao trabalho do Governo português, dizendo que "as reformas estruturais estão no caminho certo".