O Presidente da República disse esta quarta-feira, em Torres Novas, que a Europa não pode “capitular” perante a “barbárie terrorista”, devendo defender os valores, as liberdades e a identidade que consubstanciam o modo de vida europeu.

Aníbal Cavaco Silva falava numa cerimónia em que condecorou o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, Luís Farinha, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, durante uma visita à Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, feita em sinal de “público testemunho da competência e da inquebrantável lealdade” que a PSP sempre lhe manifestou.

Cavaco Silva afirmou que, no final dos seus dez anos de mandato como Presidente da República, “não quis deixar de fazer uma visita de despedida às forças de segurança, também em sinal de reconhecimento pelo seu contributo diário, tantas vezes esquecido, para que Portugal seja um verdadeiro Estado de Direito Democrático”.

O Presidente referiu o “aumento da atividade terrorista” que tem ocorrido nos últimos tempos na Europa, “com um conjunto de atentados hediondos” que “alertam de forma muito crua para a dimensão da ameaça e para a fragilidade das nossas vidas”.

“A liberdade de circulação de pessoas e bens, ideia central do projeto europeu, tem vindo inclusivamente a ser posta em causa, na sequência dos ataques recentes na cidade de Paris”, afirmou, defendendo que, “perante a barbárie terrorista”, a Europa não pode “capitular”.

 

Devemos defender os valores europeus, devemos defender a nossa identidade europeia, as nossas liberdades e o conjunto de valores que consubstanciam o nosso modo de vida”, declarou, apontando o “contributo insubstituível” das forças de segurança, a “agilidade” dos serviços de informação e o “reforço da cooperação e da partilha eficaz de informação com outros países europeus” e com os aliados.

Cavaco Silva fez questão de frisar que a sua presença hoje em Torres Novas visou “prestar tributo às mulheres e aos homens que diariamente dão a sua vida para defender e para melhorar as vidas dos seus concidadãos”, reconhecendo, na condecoração atribuída a Luís Farinha, “cada um dos agentes, chefes e oficiais” da PSP.

Acompanhado nesta visita pela ministra da Administração Interna, Constança Sousa, o Presidente da República percorreu os vários espaços onde decorre mais um curso de formação de 500 novos agentes, passando pela aula sobre direitos fundamentais, pelas salas de informática e de armamento, carreira de tiro, ginásio, assistindo a uma simulação de uma chamada telefónica de uma vítima de violência doméstica.

Cavaco Silva destacou “o papel central que a educação e a formação desempenham na preparação do pessoal da Polícia para as exigentes e diversificadas tarefas com que irão defrontar-se no dia-a-dia”, saudando a aposta da PSP nesta área.

Por outro lado, salientou o “elevado desgaste e risco permanente” de uma profissão com funções de “grande responsabilidade” e sob “pressão constante”.

“A violência contra polícias é uma realidade que, ainda que pouco relevada pela sociedade, constitui um fator adicional de desgaste e de risco que tem que ser contrariado através da sensibilização da opinião pública para o efetivo papel da Polícia e através do reforço da sua autoridade”, bem como de um “adequado acompanhamento psicológico dos agentes”, afirmou.

O chefe de Estado sublinhou a “necessária dignificação” da função, o que, declarou, passa também pela existência de “boas condições do material, dos equipamentos e das infraestruturas”, que deverão ser “uma preocupação do Governo”.

Cavaco Silva passa o dia no distrito de Santarém, deslocando-se, à tarde, ao concelho de Rio Maior, onde visitará as salinas, a indústria de carnes Nobre e o complexo desportivo.