O Presidente da República voltou hoje a apresentar os portugueses como um povo que não baixa os braços e é capaz de superar as dificuldades nas "horas de prova", sublinhando que a sua ambição "supera qualquer desânimo".

A pouco mais de três semanas de terminar o mandato como chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva recuou esta tarde dez anos, recuperando um trecho da sua intervenção na tomada de posse como Presidente da República, a 09 de março de 2006, onde manifestou "a profunda convicção" de que a determinação dos portugueses é "maior do que qualquer melancolia", que a sua esperança "é mais forte que qualquer resignação" e a sua ambição "supera qualquer desânimo".

"Hoje ao terminar os meus mandatos, ciente das dificuldades que atravessamos (…) retomo cada uma destas palavras e reafirmo a mesma convicção", disse o Presidente da República, numa intervenção no final de uma visita à Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Há dez anos, recordou ainda o chefe de Estado, o seu discurso de tomada de posse terminou com referências à forma como os portugueses são marcados pela insatisfação e pela ambição de fazer mais e melhor.

"Marca-nos a ideia de que somos agentes da História, senhores do nosso destino. Somos um povo capaz de superar as dificuldades nas horas de prova", disse o Presidente da República, citando a sua intervenção de há dez anos.

No discurso desta tarde, Cavaco Silva falou ainda da importância dos valores nacionais, recusando a ideia de que já não fazem sentido ou pouco mais são do que "um mero vestígio de tempos passados".

"Longe de se diluírem na força da globalização, os valores que cimentam a identidade e a coesão de cada povo assumem, hoje em dia, uma importância reforçada", frisou.

E, acrescentou, a força aglutinados desses valores continua a ser um capital que nenhum povo "se poderá dar ao luxo de subestimar".

"Se Portugal é hoje uma nação e um Estado com tantos séculos de história, não foi por simples acaso: foi porque o nosso povo não desistiu, não baixou os braços e, perante as sucessivas contrariedades, inclusive a perda temporária da própria soberania, encontrou sempre a força anímica necessária para reafirmar a vontade de ser livre e independente", disse.