O Presidente da República considerou os desportistas como um exemplo que deve motivar os portugueses, incutindo-lhes "ânimo e confiança", sublinhando que esses são traços fundamentais na nova fase do país, depois de atravessar uma crise complexa.

"O que distingue um desportista de exceção é, para além do talento, a sua fibra. Para alcançarem tantas e tão expressivas vitórias, os nossos homenageados tiveram de lutar muito, de trabalhar muito. Tiveram, acima de tudo, de acreditar neles próprios e nas suas capacidades. Tiveram, em suma, a coragem que é própria dos vencedores", afirmou o chefe de Estado, numa cerimónia de homenagem ao desporto nacional, promovida pela Presidência da República e onde foram condecorados 16 atletas.

Por isso, frisou, "os desportistas são um exemplo que deve motivar os portugueses, incutindo-lhes ânimo e confiança", traços fundamentais nesta nova fase da vida de um país que atravessou uma das crises mais complexas da sua história recente.

Vídeo: Nelson Évora agradece inspiração dos antigos atletas

Explicando que a homenagem hoje realizada no antigo edifício do Museu dos Coches é uma forma de exprimir aos desportistas nacionais o reconhecimento dos portugueses pelos seus triunfos e que os atletas foram condecorados pelos "seus méritos quer como desportistas, quer como exemplo de qualidades pessoais", Cavaco Silva destacou também o papel daqueles que "nem sempre apareceram em palco, mas sem os quais as vitórias alcançadas não teriam sido possíveis".

Entre os quais, referiu, encontram-se dirigentes federativos e associativos, treinadores, pessoal técnico e de apoio e funcionários das organizações desportivas, cujo "trabalho discreto" e dedicação são imprescindíveis ao sucesso.

Na sua intervenção, o Presidente da República falou das transformações que a prática desportiva tem sofrido, destacando a "democratização do desporto", que se tornou acessível à generalidade dos cidadãos, mas também a massificação e alguma "mercantilização do fenómeno desportivo".

"O desporto, como quase todas as atividades humanas, situa-se atualmente numa dimensão global de enorme concorrência. O que é fundamental, a este propósito, é que a lógica do mercado não ponha em causa a pureza dos ideais que animam a prática desportiva", disse, classificando os Jogos Olímpicos como "uma referência de humanismo e de salvaguarda da ética desportiva".

Saudando com "muita emoção" os atletas olímpicos e paralímpicos, o Presidente da República deixou "uma saudação especial" aos desportistas paralímpicos, mas "não por serem ‘diferentes' ou merecedores de um tratamento distinto dos demais atletas".

"Pelo contrário, o que é de sublinhar na prática desportiva das pessoas com deficiência é sobretudo o facto de ela visar precisamente os mesmos objetivos e prosseguir finalidades idênticas às do desporto praticado pelos demais atletas", disse, sublinhando que o desporto é muito mais do que um instrumento de inclusão, "é um território onde não existem fronteiras nem barreiras", onde todos são "iguais na diferença".

O contributo do desporto para a atividade económica foi também destacado pelo Presidente da República, bem como a sua importância para a atratividade turística de Portugal e para a projeção da sua imagem no exterior.

No final do discurso, Cavaco Silva deixou ainda uma nota pessoal: "fui desportista empenhado e esforçado, participei em várias competições, ainda hoje procuro encontrar-me em boa forma física e acompanho com orgulho e entusiasmo, confesso, os triunfos que, nas mais diversas modalidades, os nossos atletas vão conquistando em toda a parte".

Entre os 16 atletas condecorados pelo chefe de Estado estão Nelson Évora, Carlos Lopes, Emanuel Silva, Fernando Pimenta, Francis Obikwelu, José Manuel Gentil Quina, Mário Gentil Quina, Vanessa Fernandes, Francisco Rebelo de Andrade, Hugo Passos, João Alves, Nuno Delgado, Olga Pinto, Paulo Coelho, Rui Costa e Rui Silva.

Foram ainda agraciados com o título de Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique o Comité Olímpico de Portugal e o Comité Paralímpico de Portugal.