O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou esta quarta-feira que Portugal está "no caminho certo" depois de ter conseguido "uma saída limpa" do programa de ajustamento e afirmou esperar que o país "mantenha a trajetória".

Ao lado do presidente da República da Irlanda, Michael Higgins, que se encontra em visita de Estado a Portugal, Cavaco Silva lembrou que os dois países passaram por um programa de ajustamento económico e financeiro e sublinhou que Portugal "não pode deixar de ter como objetivo o crescimento económico e a criação de emprego".

"Nós invejamos a taxa de crescimento económico que recentemente a Irlanda tem vindo a alcançar. Quando ouvimos falar em 5 ou 6 por cento de crescimento económico, não há país na União Europeia que não tenha inveja da Irlanda", declarou, na conferência de imprensa conjunta com o presidente irlandês, que decorreu na Sala das Bicas do Palácio de Belém.

"Estou convencido que depois de termos conseguido alcançar uma saída limpa do programa de ajustamento e de ter regressado aos mercados, com taxas de juro bastante favoráveis, Portugal está no caminho certo e eu espero que mantenha essa trajetória de crescimento económico e criação de emprego", disse.

Questionado sobre se considera vital que o Orçamento do Estado para 2016 dê entrada ainda antes de terminar o seu mandato, Cavaco Silva escusou-se a responder, declarando apenas que "todos os diplomas que chegam ao PR são objeto de uma análise aprofundada nas diferentes assessorias antes de o Presidente tomar uma decisão quanto à sua promulgação". E que neste momento não há "diplomas em suspenso" na Presidência da República para serem analisados.

Interrogado sobre se consideraria natural que o órgão de consulta do Presidente da República - Conselho de Estado - reflita a nova composição da Assembleia da República e o novo quadro político, Cavaco Silva também se escusou a responder.

O Presidente da República disse que se congratula com o facto de "cada vez mais ao nível político em Portugal se reconheça que não é possível um crescimento económico sustentável se ao mesmo tempo não [houver] um sistema de finanças públicas saudáveis e um sistema bancário forte".

Cavaco Silva destacou que Portugal e Irlanda têm em comum "o reconhecimento de que o crescimento económico e criação de emprego requerem o respeito pelas regras de disciplina e orçamental e financeira da União Europeia e a estabilidade dos respetivos sistemas financeiros".

O Presidente da República sublinhou que ao lado dos objetivos de consolidação orçamental, a União Europeia deve ter uma "agenda forte de crescimento e criação de emprego" e não esquecer os objetivos de coesão social.

"Ao lado do mercado interno deve estar sempre a política de coesão económica e social", disse, lembrando que Portugal e a Irlanda estiveram lado a lado na defesa da coesão social em vários momentos da construção europeia.

Cavaco Silva considerou ainda que deve ser feito um esforço para a criação de "uma união na área da energia", algo que seria "bastante importante" para Portugal e que contribuiria para reduzir a dependência da Europa do gás da Rússia.


Terrorismo é "uma responsabilidade de todas as democracias"


O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu, esta quarta-feira, que o combate ao terrorismo é "uma guerra difícil e longa" da responsabilidade de todas as democracias e exige uma coordenação incluindo no "domínio das informações".

"É uma guerra difícil, longa, mas uma responsabilidade de todas as democracias do mundo trabalharem em conjunto, coordenando as suas ações, incluindo no domínio das informações para conseguir combater as tragédias que resultam do radicalismo e do extremismo que nos chega da Síria, do Iraque, da Líbia e de outros países."

Cavaco Silva falava em conferência de imprensa conjunta, no Palácio de Belém, após uma reunião de trabalho com o presidente da Irlanda, Michael Higgins, no âmbito de uma visita de Estado de três dias a Portugal, que se iniciou esta quarta-feira.

O presidente português considerou que o terrorismo não é apenas um problema de países como a França, Reino Unido, Holanda mas sim de todos e exige "uma verdadeira resposta europeia em que a Europa tem de trazer ao de cima o valor da solidariedade".

Cavaco Silva referiu-se também à crise dos refugiados, dizendo que é necessário "olhar para as causas profundas do fluxo migratório de muitos e muitos milhares que chegam às fronteiras da Europa" e que os países de origem, de trânsito e de destino, "trabalhem em conjunto para dar uma resposta solidária e efetiva" à crise que atinge a Europa, como reporta a Lusa. 

Por sua vez, o Presidente da República da Irlanda avisou que "não se deve cair na armadilha do medo" que o terrorismo pretende e pediu uma resposta global da União Europeia à crise migratória.

Falando sobre o atual fenómeno migratório, o chefe de Estado irlandês considerou que a reação dos países europeus deve ter "uma reação que se encaixe no objetivo de evitar o terrorismo".

"O terrorismo quer maximizar o medo, penso que temos de não cair na armadilha. Temos de saber responder dentro dos enquadramentos legais, mas não nos deixarmos alarmar demasiado, penso que é o que eles querem também."

Michael Higgins alertou para a necessidade de não se confundir movimentos migratórios com refugiados: "Estes são migrantes involuntários, estas pessoas fogem de uma guerra", sublinhou.

Sobre o "movimento geográfico" que está a acontecer atualmente, o Presidente da Irlanda manifestou "uma grande preocupação".

Recordando que os irlandeses "já ajudaram no Mediterrâneo", Michael Higgins advogou a necessidade de "uma resposta coerente a nível europeu" e do respeito pelos "valores humanos e pelos direitos civis das pessoas".

"Tudo isto tem de ter uma resposta global, não pode ser apenas de alguns países", sustentou.