O Presidente da República Portuguesa defendeu que é fundamental apostar na inovação e na educação para reduzir as assimetrias sociais, elogiando o investimento feito por Portugal «ao longo de décadas» na qualificação dos recursos humanos.

Numa intervenção na XXIV Cimeira Ibero-Americana, que decorre na cidade mexicana de Veracruz, Aníbal Cavaco Silva assinalou o aumento de licenciados «nos últimos vinte anos» em Portugal e o aumento de doutorados registado «mais recentemente», nunca tendo falado em concreto da atuação do atual Governo PSD/CDS-PP a este nível, nem de nenhum outro.

«É fundamental que a inovação, a par da educação, se constitua como instrumento para a redução das assimetrias sociais», declarou o chefe de Estado português, num discurso em que manifestou o seu apoio à proposta de mobilidade de estudantes, professores e investigadores dos 22 países da comunidade ibero-americana que poderá ser aprovada nesta cimeira.

Cavaco Silva declarou-se também a favor do reconhecimento de graus académicos no espaço ibero-americano e da promoção de estágios para estudantes, gestores e trabalhadores, e considerou essencial a cooperação internacional em matéria de investigação científica e uma ligação entre o sistema educativo e o mercado laboral.

«Creio que da articulação entre educação, investigação e inovação poderão surgir novos motores de crescimento que estimulem a criação de riqueza, ao mesmo tempo que promovem a inclusão social e a sustentabilidade ambiental. É este o desafio do futuro», concluiu.

No que respeita ao caso português, Cavaco Silva disse que «Portugal tem vindo a apostar fortemente na qualificação dos seus recursos humanos» e que «foi feito, ao longo de décadas, um grande investimento, que inclui a extensão da rede de ensino pré-escolar e o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 12 anos, além de políticas ativas de combate ao abandono escolar precoce e ao insucesso escolar».

Depois, referiu que «nos últimos vinte anos, o número de licenciados quintuplicou e, mais recentemente, o país registou um dos maiores crescimentos a nível europeu no número de novos doutorados».

Nesta intervenção, feita na primeira sessão plenária da cimeira de Veracruz, sobre «Educação e Cultura», o Presidente da República descreveu a atual conjuntura global como um «contexto altamente competitivo» e «tempos de incerteza e de mudança».

Segundo Cavaco Silva, neste quadro, os cidadãos e empresas terão na inovação a «principal ferramenta competitiva», o sistema educativo deverá «incutir nos jovens uma cultura de ambição, de exposição ao risco e de empreendedorismo» e os governos deverão adotar «políticas inovadoras de desenvolvimento, com vista, em particular, à promoção e criação de emprego».

O chefe de Estado português afirmou que «é na educação e no conhecimento que assenta o futuro de qualquer nação» e que isso tem de «envolver escolas, universidades, poderes públicos e a sociedade em geral». 

O Presidente da República reforçou a importância do «conhecimento, assim como do reconhecimento do mérito e do talento» no combate «à pobreza, às desigualdades sociais e à promoção da coesão social», face «à tendência para perpetuar desigualdades fundadas nas origens sociais de cada um», como reporta a Lusa.