Cavaco Silva revelou que viu "uma parte do debate" entre Passos Coelho e António Costa. Foi apenas isso que disse sobre o frente-a-frente, recusando fazer "qualquer declaração que possa ser vista como tendo incidência na campanha eleitoral".

Foram estas palavras do Presidente da República, depois de questionado pelos jornalistas com o facto de o antigo primeiro-ministro José Sócrates ter sido várias vezes referido ao longo do debate entre Passos Coelho e António Costa. 

Cavaco Silva remeteu para os comentadores políticos o "julgamento" do frente-a-frente.

Antes, tinha considerado que o período de pré-campanha eleitoral está ser ser menos crispado e tenso do que nas eleições anteriores, fazendo votos para que os casos judiciais continuem a ficar de fora da campanha.

"Comparando com campanhas anteriores, parece muito claro que o nível de crispação e de tensão é muito menor. Esta é a fase em que cabe aos partidos políticos explicar e esclarecer os portugueses sobre os seus programas e espero que se continue a fazer isso com serenidade".


Questionado se não teme que as questões de Justiça possam vir a perturbar o debate eleitoral, corroborou o que "de forma sensata todos os agentes que participam nesta campanha têm dito", defendendo que "os casos judiciais pertencem à Justiça".

"Não comento qualquer caso judicial e espero bem que aquilo que tem sido o comportamento bastante generalizado dos agentes políticos se mantenha até ao fim da campanha"


Ainda relativamente ao ‘tom' em que está a decorrer este período de pré-campanha eleitoral, e quando interrogado se pensa que a moderação que tem existido poderá indiciar um caminho para o consenso, o chefe de Estado disse pensar que todos vão aprendendo alguma coisa nesta matéria.

"Eu próprio no dia 22 de julho, quando fiz uma comunicação ao país, fiz um forte apelo a que as forças políticas se empenhassem acima de tudo no esclarecimento dos portugueses e que deixassem de lado as crispações, os insultos, as tensões e penso que até este momento isso está a verificar-se de alguma forma. Agora devemos aguardar com serenidade a chegada do dia 04 de outubro", defendeu, citado pela Lusa.

O Presidente da República considerou ainda que só no pós-eleitoral é que se conhecerá a posição de cada um dos partidos, recorrendo ao exemplo de outros países europeus: "há uma campanha de esclarecimento durante o tempo fixado na lei, mas depois o que é normal e tem acontecido em todos os países da Europa é que cada um coloca sobre a mesa os seus programas eleitorais e tentam fazer os respetivos ajustes no caso de ninguém conseguir a maioria absoluta".

Cavaco foi apanhado de surpresa com a marcação de jogos de futebol para o dia das legislativas, 4 de outubro, tendo por isso deixado um apelo aos portugueses: "Votem independentemente dos futebóis".